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Bet de investigado por fraude no INSS pagou voos de jatinho de Flávio Bolsonaro pela Europa

há 15 horas
3 min de leitura

PF aponta que controladora de casa de apostas custeou três trechos entre Portugal e França; senador diz que mantém apenas amizade com o advogado Willer Tomaz

Imagem (Crédito: Divulgação/X/Site do PT)
Imagem (Crédito: Divulgação/X/Site do PT)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da extrema direita à Presidência da República, teve voos em jato executivo pela Europa, em 2025, pagos por uma empresa que controla uma bet, segundo investigação da Polícia Federal (PF) revelada pela Folha de S.Paulo. Trata-se da Cathedral Holdings S.A., que tem entre seus sócios o advogado Willer Tomaz, amigo pessoal do senador e investigado sob suspeita de repassar recursos obtidos no esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).


Segundo a PF, a Cathedral, controladora da casa de apostas Rede Loto, custeou voos entre Portugal e França para Flávio Bolsonaro. Canhotos de passagens aéreas encontrados no computador de Willer apontam que ao menos três trechos em jato executivo foram contratados para os dois em nome da empresa.


Os documentos revelam uma viagem de Willer e Flávio de Lisboa a Nice, no sul da França, em 11 de abril de 2025, contratada junto à companhia NetJets. Em 23 de maio, acompanhados de familiares, eles foram de Cascais, a cerca de 30 quilômetros da capital portuguesa, novamente para Nice, antes de seguirem em outro voo para Paris.


A Cathedral foi registrada na Ilha da Madeira, arquipélago português localizado no Oceano Atlântico. Além de Willer, constam como sócios a esposa do advogado, a irmã dele, Igor Mateus Barbosa Moura e Jorge Barbosa Dias, que foi processado por jogo ilegal e lavagem de dinheiro em 2022 e absolvido em 2023.


Por meio da Cathedral, Willer e Dias controlam a Rede Loto, a primeira bet a obter licença de operação no Brasil, emitida pelo governo do Rio de Janeiro em maio de 2023. A absolvição de Dias ocorreu depois da concessão da licença.


A defesa da empresa afirmou à Folha que os pagamentos das viagens foram feitos por Willer, e não pela Cathedral. “Os deslocamentos foram passeios de lazer entre amigos e suas famílias, custeados por Willer e sem contrapartida de qualquer natureza”, declarou em nota.


Flávio Bolsonaro, por sua vez, disse que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade. “Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”, afirmou.


Licença para bet e indicação de Flávio

A ligação com Flávio Bolsonaro também aparece na indicação de quem comandava a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) quando a Rede Loto recebeu autorização para operar. O despacho foi assinado por Hazenclever Cançado, nomeado pelo então governador Cláudio Castro (PL). Segundo pessoas ouvidas pela Folha que conhecem os procedimentos da autarquia, a indicação de Cançado partiu do senador.


A autorização para a Rede Loto atuar com o nome BestBet foi concedida em 25 de maio de 2023 e publicada no Diário Oficial de 30 de maio daquele ano.


A empresa havia sido registrada na Junta Comercial de São Paulo em 17 de fevereiro de 2023, por um procurador da Cathedral. Em 27 de abril, no mesmo dia em que a Loterj divulgou pela primeira vez o edital de licenciamento das bets em um jornal de grande circulação, a Rede Loto entregou uma pasta com 132 páginas de documentos, às 9h09.

Como a Loterj não exigia a identificação dos beneficiários finais nos moldes da legislação federal, a documentação não informava os nomes de Willer e Dias como acionistas da Cathedral.


A Loterj afirmou à Folha que a Rede Loto apresentou todos os documentos exigidos pelo edital. “Do ponto de vista da regulamentação, é o que é exigido legalmente. E nenhum dos integrantes apresentou qualquer impedimento”.



Fpnte: Da Rede PT de Comunicação

 
 
 

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