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Brasil assumiu papel coadjuvante no conflito da Venezuela


Foto (Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil)

O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta(RS), afirmou hoje (5), em entrevista à agência Lusa, que o Brasil assumiu um “papel coadjuvante nos interesses dos Estados Unidos (EUA) no conflito venezuelano”.

Paulo Pimenta referiu que há “140 anos” que o Brasil vive num processo de paz com todos os seus países vizinhos, e que o novo governo, liderado por Jair Bolsonaro, optou por quebrar a sua tradição diplomática em prol dos interesses norte-americanos.

“O Brasil não tem nenhum interesse geopolítico nesse conflito na Venezuela. Temos muito claro que os EUA sabem a importância estratégica daquele país, que tem a maior reserva de petróleo do mundo. Os norte-americanos conseguem o seu petróleo de países como o Iraque e o Kuwait, num processo de transporte de 45 dias, e podem levar o petróleo da Venezuela até ao Golfo do México em cinco dias”, defendeu o político.

O deputado declarou que o seu país “rompeu com a tradição diplomática e assumiu um papel de coadjuvante nos interesses norte-americanos”, situação “que coloca o Brasil num conflito totalmente desnecessário e absurdo”, acrescentando que “a condução desse processo, por parte do Brasil, acaba por ser vergonhosa”.

Ainda acerca da crise no país vizinho, Paulo Pimenta frisa que é totalmente a favor de uma solução pacífica para aquele país, contando que a solução seja encontrada pelos próprios venezuelanos, “partindo do pressuposto de que Nicolás Maduro foi eleito recentemente”.

Risco para a Amazônia

Quando questionada pela Lusa acerca da visão do novo chefe de Estado em relação a questões ambientais e de preservação da Amazônia, Paulo Pimenta, que é também o deputado federal mais votado do PT na Câmara, foi firme na resposta: “O Brasil e o mundo sabem hoje o risco que a Amazônia e as suas comunidades sofrem devido à insanidade e irresponsabilidade de Bolsonaro e de todos aqueles neofascistas que compõem esse governo”.

O deputado do Partidos dos Trabalhadores disse ainda que, só neste ano, o atual governo autorizou o uso, em território brasileiro, de “96 novos venenos para a agricultura, sendo que boa parte desses produtos serão utilizados em áreas de exploração ilegal da Amazônia”, garantiu.

Paulo Pimenta não poupou nas críticas a Jair Bolsonaro, defendendo que com este novo executivo na liderança do Brasil dificilmente o país dará continuidade e valorizará a projetos com os países lusófonos.

“Bolsonaro é uma pessoa preconceituosa”

“O governo de Bolsonaro tem uma dificuldade muito grande em valorizar aspetos que dizem respeito à nossa história, à nossa tradição e às nossas dívidas. Somos o país do mundo que recebeu o maior número de escravos, durante séculos, e grande parte veio de países que foram colonizados por Portugal, países de língua portuguesa”, frisou o deputado.

O político fez assim um paralelo entre o governo de Lula e o de Bolsonaro: “O governo de Lula (…) soube tomar gestos que reconhecem tudo aquilo que de perverso as elites provocaram nesses séculos, e Bolsonaro não tem essa visão. É uma pessoa preconceituosa, limitado do ponto de vista dos seus valores morais e certamente teremos muita dificuldade em encontrar uma sequência nesses projetos”, disse.

“Lula é vítima de um processo ilegal”

O líder do PT quis ainda abordar a prisão do histórico líder do seu partido, Luiz Inácio Lula da Silva, revelando as condições em que o ex-presidente se encontra detido, acrescentado que ele é “vítima de um processo ilegal”.

“Mesmo estando há quase um ano preso, tendo quase 73 anos, e estando numa solitária, sem o direito de falar com as pessoas nem no banho de sol, vamos visitá-lo e encontramos uma pessoa vibrante, de cabeça erguida, que estuda diariamente e que está informado de tudo aquilo que se passa no Brasil, e isso inspira-nos”.

Lula da Silva “sabe que uma parcela muito expressiva da sociedade brasileira e internacional nunca perderam a confiança, e sabem que ele é vítima de um processo ilegal, perverso, e que tinha por objetivo retirá-lo da agenda política do País por tudo aquilo que ele representa e significa”, concluiu.

Fonte: PT na Câmara

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