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ONU condena veementemente ataques suicidas em Cabul


Condenando fortemente dois ataques terroristas na capital afegã, Cabul, a missão das Nações Unidas no país ressaltou a necessidade de levar os criminosos à justiça.

Segundo relatos, pelo menos 26 civis foram mortos e mais de 30 ficaram feridos nos dois ataques que ocorreram na manhã desta segunda-feira 30 (hora local) em um bairro densamente povoado no centro de Cabul.

O segundo ataque foi programado 30 minutos depois para atingir jornalistas que chegavam ao local e equipes de serviços de emergência que procuravam ajudar as vítimas do primeiro ataque.

“Estou indignado com o ataque que parece ter deliberadamente visado jornalistas; este ataque, pouco antes do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, é um ataque direto à liberdade de expressão”, disse Tadamichi Yamamoto, representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão e chefe da Missão de Assistência das Nações Unidas no país (UNAMA).

“Não há justificativa para tais ataques […] aqueles que organizaram e possibilitaram esses ataques devem ser levados à justiça e responsabilizados.”

No comunicado, Yamamoto também reiterou as proteções concedidas a civis sob o direito internacional humanitário e convocou todas as partes a manter suas obrigações, em todos

os momentos.

“Esses ataques causaram um sofrimento humano incalculável às famílias afegãs”, disse ele, estendendo suas condolências às famílias das vítimas e desejando uma rápida recuperação dos feridos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar indignado com a série de ataques terroristas.

“Os ataques em Cabul e Kandahar causaram inúmeras vítimas entre civis, socorristas e crianças em idade escolar. O alvo deliberado contra jornalistas no ataque destaca mais uma vez os riscos que os profissionais de mídia enfrentam ao realizar seu trabalho essencial. Os responsáveis por tais crimes devem ser rapidamente levados à justiça”, disse Guterres.

Ele estendeu suas “mais profundas condolências” às famílias das vítimas e desejou uma rápida recuperação aos feridos.

Em outro comunicado, o relator especial da ONU sobre liberdade de opinião e expressão condenou “nos termos mais fortes” o assassinato de nove jornalistas que cobriam o primeiro ataque na capital afegã, Cabul, e instou o governo, com a assistência da comunidade internacional, a levar os criminosos à justiça.

“O ataque, como todos os ataques contra jornalistas, é um ataque à imprensa livre do Afeganistão e ao direito do público de se informar”, disse David Kaye. “Mas também é um ataque direto a indivíduos específicos, e eu estendo minhas mais profundas condolências às famílias das vítimas e ao povo do Afeganistão.”

O presidente afegão, Ashraf Ghani, condenou os assassinatos, cuja responsabilidade foi reivindicada pelo grupo terrorista Estado Islâmico.

Em um incidente separado na segunda-feira (30), o jornalista afegão Ahmad Shah foi morto a tiros na província de Khost, no leste do país.

“Seria fácil concluir que não há nada que se possa fazer diante de terríveis ataques terroristas”, disse Kaye. “Mas há medidas concretas que devem ser tomadas. Os responsáveis devem ser levados à justiça, o que pode exigir apoio internacional ao Afeganistão.”

“Todos os governos devem condenar os assassinatos, e os doadores públicos e privados devem fornecer apoio de emergência à imprensa no Afeganistão. O treinamento, a segurança e a solidariedade profissional são sempre essenciais para todos os trabalhadores de mídia, funcionários e freelancers”, acrescentou o relator da ONU.

“Esses ataques servem para lembrar aqueles que demonizam a imprensa que os jornalistas desempenham uma função crucial nas sociedades: a iluminação de todas as questões de interesse público. O legado dos mortos é um lembrete de que servir ao direito do público de saber pode ser perigoso e merece todo o nosso respeito e apoio.”

Fonte:ONU

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