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Imprensa internacional ecoa a ONU: PEC 55 vai aprofundar a desigualdade social no Brasil


Congelar investimentos sociais por 20 anos colocará em risco “toda uma futura geração de brasileiros”, que ficarão desassistidos de proteção social. O alerta, divulgado na semana passada, não é mera opinião, mas a manifestação oficial do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, que se manifestou sobre a PEC 55 por meio de seu relator especial para Extrema Pobreza e Direitos Humanos, Philip Alson.

“Os planos do governo de congelar o gasto social no Brasil por 20 anos são inteiramente incompatíveis com as obrigações de direitos humanos do Brasil”, afirmou Alson em nome do Conselho de Segurança. O “principal e inevitável efeito” da PEC 55 será o prejuízo aos mais pobres nas próximas décadas.

As duras críticas apresentadas por Phillip Alson à proposta da gestão Temer repercutiram amplamente na imprensa internacional.

O jornal britânico The Guardian, por exemplo, destacou que a “PEC 55 reforça os temores de que o governo direitista de Temer vai empurrar o Brasil de volta à sua posição histórica entre os países mais desiguais do planeta”, reputação que vinha sendo revertida “ao longo de 13 anos de administração do Partido dos Trabalhadores, quando cresceram os gastos com saúde pública, educação e alguma distribuição de renda”, afirma a publicação. “Mas desde que Temer conspirou para remover Dilma da presidência, ele inverteu as prioridades para os credores”.

Outro prestigiado veículo a ecoar as palavras do representante das Nações Unidas foi a Radio France Internationale, para quem as medidas de austeridade que o Brasil pretende impor na área social evoluirão rapidamente de congelamento de gastos para um “recuo dos níveis de educação, de saúde e de proteção social”. Segundo a rádio, “essa medida radical deverá agravar as desigualdades sociais em um país onde elas já são gritantes”.

“As Nações Unidas ressaltaram que há um problema referente à democracia, já que o programa do novo presidente Michel Temer, que chegou ao poder após a destituição de Dilma Rousseff, jamais foi submetido às urnas”, afirmou a Radio France Internationale.

Se a ideia da PEC 55 era demonstrar “prudência fiscal” e tentar reconstruir a confiança internacional no País, o tiro parece estar saindo pela culatra. Temer pode ter se apossado do governo, mas a capacidade de gerar manchetes positivas sobre o Brasil na imprensa internacional continua sendo tarefa de Lula e Dilma, como demonstra a escolha presidenta eleita como uma das mulheres do ano de 2016 pelo Financial Times, na semana passada.

Fonte: PT no Senado

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