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Michel Temer articulou para salvar Eduardo Cunha


Matéria publicada na noite dessa quinta-feira (7) pelo site do jornal “O Globo” confirma que o presidente golpista Michel Temer atuou para salvar Eduardo Cunha, que anunciou mais cedo sua renúncia da presidência da Câmara.

“O acordo que possibilitou a renúncia do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara consistiu em lhe dar uma sobrevida ao fazer com que seu processo retorne ao Conselho de Ética.

Em uma articulação da qual participaram o presidente interino, Michel Temer, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Osmar Serraglio(PMDB-PR), além de outros parlamentares do PMDB e de partidos da base, ficou decidido que, em troca da renúncia, o processo de cassação do mandato do qual Cunha é alvo será devolvido, de ofício, ao Conselho”, informa o jornal da família Marinho. Segundo “O Globo”, “o acordo foi fechado na noite de quarta-feira”.

O envio do recurso à CCJ, pedindo para que seu processo de cassação retorne ao Conselho de Ética –é uma manobra que, segundo O Globo tem o “aval” de Temer.

Logo após anunciar sua renúncia, nesta quinta, Cunha se dirigiu à CCJ, onde protocolou um aditamento pedindo que seu processo seja devolvido ao Conselho de Ética, argumentando que seu julgamento no colegiado ocorreu levando em conta que ele presidia a Câmara, situação que agora mudou. O ofício será encaminhado ao relator do processo de Cunha na CCJ, deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), que dará parecer favorável ao pedido para devolvê-lo ao Conselho de Ética. Logo após, Osmar Serraglio, deverá dar despacho favorável à devolução do processo, confirmando a articulação feita com a participação de Temer.

Manobra não salvará Cunha

O Globo diz ainda que “para os participantes da articulação, está claro que a manobra não salvará Cunha da cassação do mandato, mas lhe dará uma sobrevida para trabalhar em sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF) e negociar uma saída para sua mulher, Cláudia Cruz, também ré na Lava-Jato, e sua filha Danielle Dytz, investigada na operação”.

O jornal explica o motivo da atuação de Temer: “Há uma forte preocupação, tanto no Palácio do Planalto, quanto entre os parlamentares, com a possibilidade de Cunha passar a tomar “atitudes desesperadas” para proteger sua família e a si mesmo. Foi para aliviar este cenário que foi costurada a solução da renúncia em troca da devolução de seu processo ao Conselho de Ética”.

No entanto, um eventual salvamento de Cunha, acusado de receber dezenas de milhões de dólares em propinas e de manter diversas contas no exterior, seria desastroso não apenas para o Legislativo, que perderia de vez sua credibilidade, como também para o próprio Poder Executivo. Temer tem sido cobrado em todos os editoriais da mídia tradicional, bem como por colunistas como Jorge Bastos Moreno, a cortar seu cortão umbilical com Cunha.

Falar, no entanto, é bem mais fácil do que fazer. Caso Temer decida abandonar na beira da estrada seu principal aliado, a quem chamou de “incansável batalhador político e jurídico” numa entrevista recente, ficará à mercê de sua eventual vingança. O fato de ter dado aval ao resgate de um político que hoje simboliza a corrupção demonstra que, na prática, Temer é refém de Cunha e pode, a qualquer momento, ser abatido por ele.

Fonte: Do Brasil 247 (texto 1 e texto 2).

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