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Bonito e Campo Grande conduzem a chama na volta da tocha para a estrada


As águas cristalinas da Gruta do Lago Azul, em Bonito (MS), paraíso ecológico do Centro-Oeste brasileiro, foram o palco do início do tour da tocha neste sábado.

Conhecido pela beleza de seus rios, cachoeiras, grutas e cavernas, o cenário tinha como adereço a luz solar que batia nos peixes e refletia neles um dourado ainda mais reluzente. Por lá, a tocha passou ainda por outros cartões postais, como o Aquário Natural e a Praça da Liberdade, no centro da cidade, onde está localizada o Monumento das Piraputangas.

Era a oitava vez da mergulhadora Karina Oliane, de 34 anos, em Bonito. Viajada, ela elegeu o paraíso sulmatogrossense um dos seus "preferidos no planeta". Quando soube que seria condutora da chama olímpica, pensou: "Não há como receber presente melhor". Pois havia: sua participação foi confirmada naquele que lidera seu ranking mental de cidades mais belas do mundo.

Karina se surpreende com o fato de a tocha, que é um objeto tão pequeno, ter uma uma simbologia tão grandiosa. "Ela representa coisas incríveis, como dedicação, garra, determinação, treinamento, superação de limites pelos atletas... valores tão superiores aos seus 69 cm de cumprimento", comparou.

Karina Oliane conduz a tocha em meio às piscinas naturais de Bonito (MS). Foto: Ivo Lima/Brasil2016.gov.br/ME

Campo Grande

À tarde foi a vez de Campo Grande dar continuidade ao evento. Um dos ídolos do atletismo brasileiro, Vicente Lenilson foi convidado para conduzir a chama na cidade. Nascido no Rio Grande do Norte, o terceiro-sargento do Exército serve no Centro-Oeste, vive atualmente em Cuiabá, e aceitou o convite para ser guardião da chama na região. Ainda aos 18 anos, ele ainda não tinha despertado para seu talento e trabalhava como mecânico de motos. Foi numa partida de futebol que descobriu a velocidade e o atletismo e não poderia imaginar que seria, um dia, medalhista olímpico.

Lenilson participou de três edições dos Jogos e ganhou uma medalha de prata no revezamento 4x100, em Sydney (2000), além da prata no Mundial de Saint -Denis, em 2003, e do ouro no Pan do Rio de Janeiro, em 2007. "Tô encantado. Isso vai passar de geração em geração, de que um antepassado conduziu a chama na primeira Olimpíada do Brasil", afirmou o "pequeno gigante", como também é chamado.

Se o velocista adotou o Mato Grosso do Sul por uma circunstância profissional, a judoca paralímpica Michelle Ferreira é filha da terra. Deficiente visual, ela tem 15% da visão no olho esquerdo, e cinco no olho direito, em decorrência de uma toxoplasmose congênita. Ela descobriu o judô em um projeto de socialização de deficientes visuais por meio do esporte. Já se vão 12 anos, um sem número de competições, duas medalhas de bronze (nas Paralimpíadas de Pequim e Londres), e o ouro no Parapan do Canadá." Conduzir a chama aqui no meu estado, onde aprendi o que sei, junto do meu povo, da minha cidade, é especial", afirmou.

O medalhista olímpico Vicente Lenilson conduz a chama em Campo Grande. Foto: Ivo Lima/Brasil2016.gov.br/ME

Indiretas do bem

A jornalista Ariane de Freitas decidiu semear o amor quando percebeu que a timeline do Facebook de seus colegas de trabalho estavam repletas de textões onde as indiretas e provocações só ajudavam a acirrar os ânimos da sua equipe. Junto com uma colega, criou anonimamente um perfil chamado "Indiretas do Bem" e partiu para um trabalho que logo ganhou visibilidade e milhares de likes.

A proposta era simples: postar mensagens positivas que enaltecessem o carinho e o amor entre as pessoas. Hoje elas somam milhões de seguidores nas redes sociais, quatro livros e indiretas que são aproveitadas como declarações de amor escancaradas. "Continuem acreditando no amor e nessa transformação que acontece com a união das pessoas, com o esporte, e com o dia a dia", alertou, já com a tocha na mão preparada para iniciar sua condução.

Zequinha Barbosa acende a pira em Campo Grande, no encerramento do tour na capital de Mato Grosso do Sul. Foto: Ivo Lima/Brasil2016.gov.br/ME

Emoção

O nome de batismo é José Luis, mas é como Zequinha Barbosa que o campeão mundial dos 800 m rasos em 1987, em Indianápolis é conhecido no atletismo. Natural de Três Lagoas (MT), onde enfrentou a pobreza para se tornar um dos principais meio-fundistas do mundo, o ex-atleta foi o responsável por encerrar a festa do revezamento em Campo Grande e acender a pira olímpica. Aos 55 anos, depois de ter passado por quatro Olimpíadas e diversos campeonatos mundiais, Zequinha disse se orgulhar do que representou para as gerações do esporte que o sucederam. "É um orgulho estar aqui e ver que servi de inspiração para muitos desses atletas que hoje defendem o Brasil como um dia eu defendi", disse, sem conseguir segurar as lágrimas.

Na festa de celebração, a estudante Evelyn Torres, de 13 anos, estava empolgada com o aspecto cosmopolita do revezamento da chama. "É um belo jeito de mostrar novas coisas ao mundo", afirmou. "É um privilégio para cada cidade, ainda mais para a gente, que pode mostrar como nosso povo é bonito", emendou a amiga, Natália Fonseca, 13.

Investimentos

A cidade sul-matogrossense de Corumbá receberá uma unidade do Centro de Iniciação ao Esporte, com ginásio reversível e pista de atletismo, orçado em R$ 3,6 milhões. Em parceria com a Prefeitura da capital, Campo Grande, o Ministério do Esporte iniciou a reforma da pista de atletismo do Parque Ayrton Senna. O estado tem 121 beneficiários do programa Bolsa Atleta, e seis do Bolsa Pódio.

Depois de 14 dias de rota aérea, o comboio do revezamento da tocha voltou à estrada pelo Mato Grosso do Sul. Na capital Campo Grande e em Bonito foram 156 condutores ao longo de quase 40 km de percurso.

Neste domingo (26.06), a chama olímpica percorrerá o interior do estado encerrando o dia na cidade de Dourados. Na segunda-feira, entrará pela primeira vez em São Paulo, fazendo uma rápida passagem por Presidente Prudente. Na terça, também visitará a Região Sul pela primeira vez. A cidade escolhida para iniciar o trecho foi Londrina, no Paraná.

Fonte: Brasil2016 - por Hédio Ferreira Júnior e Mariana Moreira, de Campo Grande (MS)/Fotos: