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Instituto de pesquisa do MCTI mantém projeto de monitoramento de onças na Amazônia


Duas onças foram incluídas no projeto de monitoramento da espécie mantido pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) localizada em Tefé (AM). Pesquisadores do instituto foram a campo em janeiro e março para a campanha de captura de 2016. Os dois animais encontrados receberam os colares de GPS que registram a movimentação pela floresta da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Agora, são cinco as onças monitoradas pelos pesquisadores do Projeto Iauaretê.

Os animais encontrados foram batizados de Django, uma onça preta de 54 quilos e 1,80 metro, e Fofa, uma onça-pintada de 39 quilos e 1,68 metro. A surpresa é que Fofa está em gestação, o que indica que o ambiente é viável para a sobrevivência e a reprodução da espécie.

""No momento da captura, o animal apresentou boa condição corporal, e ausência de sinais clínicos evidentes para alguma doença. O animal está bem, possui alimentação no ambiente e está se reproduzido bem. Demonstra que esse é um ambiente que está favorável para sua manutenção", disse a veterinária do Instituto Mamirauá Louise Maranhão.

Segundo o pesquisador Emiliano Ramalho, a Reserva Mamirauá possui uma das mais altas densidades de onças no mundo. "A gente estima mais de dez onças a cada cem quilômetros quadrados. Isso mostra o potencial que as várzeas têm", afirmou.

Monitoramento

Como se movimentam as onças da várzea amazônica? E como a variação do nível da água, ao longo do ano, interfere na movimentação desses animais? Essas são algumas perguntas que a pesquisa procura responder. Durante a cheia do rio Solimões, quando toda a floresta da reserva fica alagada, é possível que nenhum animal abandone o ambiente. Chamadas de onças d'água, elas buscam as copas das árvores, um comportamento inusitado e nunca antes observado em felinos de grande porte.

"O colar permite que a gente siga os bichos e saiba onde eles estão todos os dias. O colar armazena informações a cada cinco horas e nos envia, por satélite. Além disso, tem um sistema transmissor VHF, que emite uma frequência de rádio, que é útil quando a gente quer achar o bicho ou para recuperar os colares, depois que são desarmados", explicou Emiliano.

Os colares possuem um sistema que permite que se desarmem sozinhos quando a bateria acaba, possibilitando que sejam encontrados e reutilizados posteriormente. Esse acompanhamento das onças, por meio do GPS, dura até dois anos.

De acordo com Emiliano, o monitoramento desses animais ajuda a identificar as áreas de vida que utilizam. "A área de vida é importante, por exemplo, para termos uma ideia do tamanho de áreas de conservação que a gente precisa para preservação da espécie. As áreas têm variado muito em relação ao ambiente. Na várzea, a ecologia da onça é muito peculiar, porque ela precisa ficar em cima da árvore, sem chão, durante parte do ano. Então, entender o tamanho da área de vida é importante. Isso também nos ajuda a ver a sobreposição dessas áreas, a sociabilidade dos bichos."

Captura

Todo o procedimento de captura é acompanhado por um médico veterinário. São instaladas armadilhas de laço, que prendem o animal pela pata, em algumas trilhas da reserva. As armadilhas são checadas várias vezes ao dia. Durante o procedimento, é feito um exame clínico geral no animal.

"Os animais são monitorados durante a anestesia, sendo avaliados todos os parâmetros vitais básicos. A gente faz o exame clínico para observar se tem alguma alteração corporal, nos dentes, nos sistemas ósseo, muscular e oftálmico, e nas mucosas. Tudo isso para ver se tem algum sinal clínico de doença", explicou Louise, acrescentando que também são coletadas amostras biológicas para análise em laboratório.

"Com essas amostras, a gente traça o perfil sanitário das onças e pesquisa a ocorrência de várias doenças. Com as descrições do quadro clínico, hematológico e bioquímico, além das informações sobre prevalência e distribuição de agentes patogênicos, podemos gerar informações sobre o estado de saúde dessas onças", contou Louise.

Além disso, durante a captura, os animais são pesados, medidos (com registro dos parâmetros de corpo, cabeça, cauda e dentição) e fotografados. As fotografias contribuem para a identificação, a partir da análise do padrão de pintas, que é como uma "impressão digital", marca única de cada animal.

Projeto

A pesquisa com as onças é realizada desde 2008 pelo Instituto Mamirauá. Além do estudo da ecologia das onças-pintadas, essas informações são base para a manutenção do turismo de observação dos animais, mantido em parceria com a Pousada Uacari. O turismo de observação de onças é realizado durante o período da cheia, quando os animais que possuem os colares podem ser encontrados pelo sinal de rádio telemetria.

De acordo com o pesquisador Emiliano Ramalho, o projeto do Instituto Mamirauá também contribui para o envolvimento e a conscientização das comunidades ribeirinhas. "As onças, hoje, têm um valor negativo para as comunidades, porque as pessoas se sentem ameaçadas, perdem cachorro, criação, porco, gado. A ideia é que mais gente venha fazer a observação de onças. As pessoas ficam mais interessadas no bicho."

A pesquisa conta com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) para o pagamento de bolsas.

Fonte: Instituto Mamirauá

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