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Movimentos negros traçam caminhos para manter resistência contra racismo


Foto: Agência PT

Em um ambiente contaminado pelo ódio qual deverá ser o comportamento dos (as) ativistas e suas organizações frente a este quadro? A pergunta, motivada a partir do que se propõe o governo de Jair Bolsonaro, foi o mote da abertura do Seminário Nacional: Estratégias de Resistência ao Racismo no Brasil, organizado pelo PT e realizado nesta quinta-feira (13) em São Paulo – o evento segue nesta sexta (14) com novos debates.

Com a presença de representantes de diversos movimentos negros, lideranças políticas e ativistas, o evento dá início a uma série de conjunturas propostas para manter a resistência diante da possibilidade real de perda de conquistas históricas e do agravamento da violência contra as populações negras.

Quem explica é o secretário Nacional de Combate ao Racismo do PT, Martvs Chagas.:”Nosso objetivo é travar um debate sobre o futuro do Brasil, hoje ameaçado por um governo de extrema-direita que pode agravar ainda mais a situação do racismo aqui no Brasil. O seminário se propõe a dialogar sobre quais os caminhos que devemos seguir para continuar a resistência”.

Entre o caminhos sugeridos por Chagas está a mobilização e união de entidades, organizações, secretarias partidárias para criar um movimento forte para evitar ainda mais retrocessos como a extinção da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, criada no primeiro ano do governo Lula.

“A extinção dessa secretaria diz exatamente a que veio este governo. O nosso receio é que a extinção agrave ainda mais a situação das populações pobres, que são essencialmente negras. É isso que precisamos levar às pessoas. Nosso alerta é que nós não vamos aceitar esses retrocessos. Com a força de nossos ancestrais negros vamos resistir”, completa.

Seminário Nacional: Estratégias de Resistência ao Racismo no Brasil - Foto: Agência PT

Para Flávio Jorge, da Executiva da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), a luta será árdua. “Temos que debater, apresentar conjunturas, mas também temos que nos proteger e estarmos preparados para a luta. Não perdemos uma eleição, mas estamos de pé. Este seminário se dá dentro deste contexto, de seguirmos de cabeça erguida e não nos curvar diante das ameaças”, avalia.

Para a secretária de Combate ao Racismo, Maria Julia Nogueira, para manter a luta e organizar a mobilização é preciso levar em conta também toda a situação do país desde o golpe de 2016. “Vivemos um período de extrema instabilidade política e jurídica. Mas o mais grave disso tudo é que, mesmo antes de assumir o cargo, Bolsonaro já anunciou uma série de medidas que prejudica a população brasileira, sobretudo negros e pobres. Temos que ter tudo isso muito claro para que nossa mobilização atinja seus objetivos e convença um número cada vez maior de pessoas”.

Para o professor Babalawô Ivanir dos Santos, o Brasil não pode encarar esta luta sozinho. “Temos que internacionalizar as denúncias do que está acontecendo no Brasil. A situação é muito grave e quanto mais o mundo ficar sabendo do que se passa por aqui maior será a nossa resistência. As ameaças feitas pelo Bolsonaro são reais e teremos de nos manter firmes para impedir que elas avancem”, finalizou.

Fonte: APT de Notícias - por Henrique Nunes

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