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Inteligência artificial para frear agravamento da covid-19 em regiões brasileiras é premiada


O estudo busca antecipar informações sobre covid-19 através de algoritmos de inteligência artificial para prevenir o agravo da doença. Imagem: Gerd Altmann/Pixabay

O Núcleo de Evidências em Saúde/Observatório de Doenças Raras do Departamento de Saúde Coletiva da UnB (NEV), coordenado pelo professor Natan Monsores, tem objetivo de agregar expertise em bioética, epidemiologia e saúde pública para gerar evidências que possam dar suporte ao estabelecimento de políticas públicas. Uma de suas pesquisadoras foi recentemente premiada por estudos contra covid-19. Roberta Moreira Wichmann faz parte de equipe que venceu na categoria Inovação em Prevenção do prêmio Abril & Dasa de Inovação Medida 2020.

O projeto vencedor foi o IACOV-BR: Inteligência Artificial para Covid-19 no Brasil. Liderado pelo professor Alexandre Chiavegatto Filho da Universidade de São Paulo (USP), o projeto desenvolve algoritmos de inteligência artificial (machine learning) para antecipar o diagnóstico e o prognóstico de covid-19, com base em dados colhidos nas regiões brasileiras. “A iniciativa pretende auxiliar a prevenir o agravamento clínico da doença em diferentes contextos socioeconômicos”, disse Roberta Wichmann.


Diagrama do projeto em que constam pontos essenciais para a IACOV-BR. Imagem: Divulgação

RESPOSTAS – Segundo Wichmann, o trabalho tem sido realizado de maneira remota, em conjunto com hospitais parceiros em diversas regiões do Brasil para auxiliar médicos e gestores em decisões sobre o diagnóstico e prognóstico de covid-19.

“Em relação ao diagnóstico, o objetivo é dar resposta sobre a probabilidade de um paciente ter ou não covid-19, a partir dos resultados do exame de sangue (hemograma). Em relação ao prognóstico, o foco é dar resposta sobre a probabilidade de um paciente positivo avançar para um quadro severo e, até mesmo, ir a óbito", explica. O projeto também busca responder "qual a probabilidade de os pacientes que chegam a uma unidade hospitalar, dadas as características pelas quais chegam no hospital, precisarem de uma UTI, ou de uma ventilação mecânica, dentre outros", detalha.

Segundo Wichmann, o prêmio destaca o esforço da equipe de pesquisadores que trabalharam intensamente no projeto. “Sinto grata pelo recebimento desse prêmio. É um reconhecimento incrível a todo nosso time de pesquisadores que vêm conquistando avanços importantes desde o início da pandemia. Além de premiar nossos esforços, reconhece o uso da inteligência artificial como um importante suporte aos médicos em suas tomadas de decisões no dia a dia”, completou.

Cerca de 20 hospitais integram a rede IACOV-BR e contribuem com o fornecimento e a coleta de dados. “Mesmo em um momento em que os profissionais da saúde estão, muitas vezes, sobrecarregados e enfrentando desafios diários inéditos de trabalho no combate à pandemia de covid-19, os hospitais da rede IACOV-BR vêm contribuindo com a coleta de dados. A diversidade dos dados coletados irá contribuir e enriquecer cada vez mais a pesquisa, uma vez que nos ajudará a ter uma melhor compreensão sobre a capacidade de generalização e implementação dos modelos preditivos propostos em diferentes ambientes e populações”, afirma Wichmann.


Roberta Wichmann acredita que os dados científicos contribuem com compreensão e implementação de modelos. Foto: Arquivo pessoal

A pesquisa reforça a importância de evidências científicas sendo usadas como base para tomada de decisões. Roberta Wichmann foi professora visitante da UnB e tem colaborado com pesquisas na área de economia da saúde e de uso de evidências para formulação de políticas públicas em saúde. Também tem orientado alguns trabalhos de conclusão de curso em Saúde Coletiva e apoiado outros projetos do Núcleo de Evidências (NEV), destaca Natan Monsores, coordenador do núcleo.

BENEFÍCIO COLETIVO – Monsores destaca que redes de colaboração fortalecem a realização de pesquisas. Por isso, acredita que a conquista da pesquisadora Roberta Wichmann pode retratar e até mesmo auxiliar a qualidade da pesquisa que vem sendo feita no núcleo da UnB.

“A atividade em redes de colaboração fortalece as pesquisas realizadas no Núcleo de Evidências. É importante destacar que este mesmo núcleo faz parte de uma rede internacional, a EVIPNet, que tem sido apoiada e fomentada no Brasil pelo Ministério da Saúde. A pesquisadora Roberta Wichmann tem desenvolvido trabalhos de colaboração com outras instituições que trazem expertise para os trabalhos no campo da saúde coletiva, como este pelo qual recebeu premiação”, destacou Monsores.

“O Núcleo de Evidências em Saúde da UnB desenvolve atividades de produção, sistematização, tradução e disseminação do conhecimento a diferentes setores e stakeholders, colaborando com a utilização do conhecimento científico para a tomada de decisões e orientações de políticas no contexto da saúde. O ganho desse prêmio reforça essa premissa da tomada de decisão baseada em evidência científica, em dados", reforça a pesquisadora.

"O grande volume de dados em saúde, estruturados ou não, que são gerados a cada instante é impressionante. A análise de grandes quantidades de informações é uma das tendências da tecnologia e tomar decisões com base em dados acabou se tornando uma prática muito valorizada pelos gestores. Nesse contexto, procuramos buscar respostas às lacunas do conhecimento sobre a pandemia, como também aprender a lidar com os novos desafios”, completa.


Fonte: UnB Noticias