Com 23 vezes mais mortos pela covid-19, governo brasileiro segue criticando Argentina

28-Apr-2020

Da Rede Brasil Atual - A Argentina segue concentrada no combate ao coronavírus. O presidente do país vizinho, Alberto Fernández, não só anunciou, neste domingo (26), o prolongamento da quarentena até 10 de maio, como manifestou preocupação com a forma com que a pandemia é encarada pelo governo chefiado por Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, o conservador jornal La Nacion, nesta segunda-feira, ironizou o mandatário brasileiro.

 

“Desde o início da pandemia, Bolsonaro liderou uma campanha para minimizar seus impactos, mesmo quando mais de dez funcionários do governo foram infectados após uma viagem aos Estados Unidos, na qual ele se encontrou com Donald Trump”, afirma o jornal. “O brasileiro chamou o coronavírus de “gripezinha”, ignorou as recomendações da Organização Mundial da Saúde para se evitar multidões, convocou uma marcha de seus seguidores, os cumprimentou e tirou fotos com todos, apesar da probabilidade de contágio.”

 

O diário destaca que, mais do que isso, Bolsonaro desafiou governadores do país, “como o de São Paulo, “que o ignoraram e recomendaram que seus habitantes ficassem em suas casas e pararam negócios, como restaurantes e outros espaços de lazer, para limitar o contágio”.

 

Diante da catástrofe mundial e de sua postura mundial em relação a ela, Bolsonaro é hoje um “líder” ridicularizado em todo o mundo. Ao anunciar que a quarentena seria estendida, Alberto Fernández se manifestou preocupado com as fronteiras de seu país com o Brasil. Ele afirmou ter conversado com os governadores das províncias (estados) argentinas sobre a situação. “Me preocupa muito a situação do Brasil porque não acho que o governo brasileiro esteja enfrentando o problema com a seriedade que o caso requer”, disse.

 

Segundo ele, os governadores se disseram apreensivos com as fronteiras pelas quais entram muitos caminhões de carga provenientes de São Paulo.

 

O La Nacion destacou, principalmente, o fato de que o ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, “um dos mais alinhados” a Bolsonaro, disse na manhã desta segunda: “Não seremos Argentina ou Venezuela, estamos em outro caminho, o caminho da prosperidade, não o caminho do desespero”. Guedes prometeu ainda que  Brasil “vai surpreender o mundo com a recuperação econômica”.

 

A diferença não é apenas política, mas de atitudes. Enquanto Bolsonaro costuma dar passeios e incentiva manifestações e aglomerações, o colega argentino se mantém em quarentena na Quinta de Olivos, residência oficial da presidência.

 

A Argentina contabiliza, até esta segunda, 3.892 casos de coronavírus, com 192 mortos. No Brasil, os infectados chegaram a 66.501 desde o início da pandemia, segundo Ministério da Saúde, com 4.543 óbitos, 23,7 vezes mais do que entre os argentinos. No início do mês, a política de Fernández já estava bastante clara: “Na capital e na Grande Buenos Aires preparem-se para seguir (a restrição). Estamos muito longe da meta”, disse ele na ocasião.

 

Já a Venezuela, país em que o Estado tem atuação dominante na economia, também mencionada por Paulo Guedes como um “exemplo a não ser seguido”, segundo dados do governo daquele país, registrou até hoje 325 casos, com apenas 10 mortes.

 

A intensidade do foco do governo Alberto Fernández no combate à pandemia pode ser medida por sua última medida relativa ao Mercosul. Ele anunciou na sexta-feira (24) à noite que seu país deixa as negociações de novos tratados de livre comércio do bloco para se dedicar ao combate à pandemia e seus efeitos.

 

O Paraguai e os outros membros do Mercosul “avaliarão as medidas legais, institucionais e operacionais mais apropriadas, com base na decisão soberana da República Argentina, de modo a não afetar o processo de construção da comunidade e as negociações comerciais da comunidade do Mercosul em curso”, disse, em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, que está atualmente com a presidência pro tempore do bloco.

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