Alepa reúne universidades federais para debater cortes no orçamento

18-Jun-2019

Na tarde dessa segunda-feira (17.06), no auditório João Batista, da Alepa, aconteceu uma  Audiência Pública sobre os cortes no orçamento das universidades federais. A audiência reuniu dois reitores, representantes dos professores, dos estudantes de Belém, do interior e de quilombolas, além de instituições como o Museu Emílio Goeldi e da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda.

 

Junto com os deputados Dilvanda Faro, que solicitou a audiência, e do deputado Carlos Bordalo, presidente da Comissão de Direitos Humanos, eles debateram sobre o prejuízo causado às instituições de ensino superior pela decisão do Governo Federal de cortar em média 30% do orçamento das universidades.


"Eu aprendi a respeitar meus professores e me sinto indignada quando vejo na mídia os professores sendo desrespeitados e ofendidos", destacou a deputada Dilvanda. "Essa postura do governo de cortar ou contingenciar, como preferem dizer, é um desmonte que precisamos combater", diz.


Segundo o deputado Carlos Bordalo, os cortes atingiram em todo o Brasil cerca de 1 milhão e 300 mil estudantes, que estão prejudicados. Quase 400 mil vagas e cinco mil cursos podem ser extintos por falta de recursos. "No Pará, as perdas afetam quatro instituições federais e chegam a R$ 337 milhões. Só na Universidade federal do Pará, o corte foi de R$ 105 milhões, que correspondem a 31,22% do orçamento, acima da média de cortes nacional", lamenta o deputado. "Temos 63 mil estudantes prejudicados, 15 mil vagas ameaçadas, 7 mil bolsas de mestrado e doutorado suspensas, 275 mil cursos em risco, em 28 municípios", enumera.


O reitor da UFPA, Emanoel Tourinho, lembrou da reputação construída pela UFPA no Brasil e no exterior, como a maior universidade em número de alunos em todo o Brasil e principal produtora de conhecimento científico na Amazônia. "Temos 51 mil alunos, 70 campi em todo o estado com 200 cursos de graduação e 140 cursos de mestrado e doutorado. Somos os maior sistema de pós-graduação pan amazônica, estamos entre as 15 instituições com maior número de doutorados e mestrados", ressalta o reitor.


"Em outros países, o Brasil não é visto como um país desenvolvido em virtude das desigualdades sociais e é neste contexto que as universidades públicas atuam, para promover a inclusão e o desenvolvimento" conclui.


Maurílio Monteiro, reitor da Universidade federal do Oeste do Pará, complementou: "Quando perguntam como nós não somos uma grande universidade, a pergunta certa é como nós conseguimos produzir tudo o que fazemos com as condições que temos", afirma. "Tenho orgulho de dizer que em poucos anos de existência já conseguimos entregar diplomas a 2 mil estudantes, são pessoas que não tinham acesso à educação e hoje conseguiram mudar suas vidas. 82% de nossos acadêmicos são filhos de pais que nunca chegaram ao ensino superior", destaca Maurílio. "Temos que recompor esses orçamentos, essa é a nossa tarefa e o pedido de socorro que fazemos. É necessário reverter isso logo, sob o risco de termos um prejuízo tão grande que não fará mais sentido reaver os recursos", lamenta.


Participaram da Audiência Pública a deputada Dilvanda Faro, o deputado Carlos Bordalo, o reitor da UFPA Emanoel Tourinho, o reitor da UFOPA Maurílio Monteiro, o secretário de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda Inocêncio Gasparim, a diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi Ana Luíza Albernaz, o professor Adolfo da Costa Neto, da Associação dos Docentes da UFPA; Elana Silva, da União Nacional dos Estudantes; Vanusa Cardoso, da Associação dos Discentes Quilombolas da UFPA, Gregório Neto, do Diretório Central dos Estudantes da UFPA; e José Maria Reis, da Associação Nacional de Pós Graduados da UFPA.

 

Fonte: Alepa

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