Povo nas ruas concede título de “Doutor Presidente” a Lula

21-Aug-2017

Chirlene Oliveira de Jesus, 27 anos, foi a primeira mulher de sua comunidade a ter acesso um curso superior. Journey Pereira dos Santos, 29 anos, está prestes a se tornar o primeiro integrante de sua família a se formar em uma universidade. Mais do que formar profissionais, porém, a política educacional dos governos petistas ajudou a formar cidadãos conscientes e comprometidos com o País.

 

“Meu objetivo agora é retribuir à sociedade brasileira tudo o que me foi dado. Quero que isso tenha retorno para o País”, afirma Journey, prestes a concluir o curso de Engenharia Florestal na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), a mesma instituição onde Chirlene se formou em Serviço Social, em 2013, o primeiro passo da caminhada acadêmica que vai culminar no doutorado que ela está cursando na Universidade Federal da Bahia.

 

A Universidade Federal do Recôncavo foi criada durante o governo Lula há uma década, como parte do programa de interiorização e expansão do ensino superior público no Brasil, pilar essencial à política de democratização do acesso à Universidade. “Com seu governo, a história do meu povo tomou um novo rumo”, disse Chirlene ao ex-presidente, em um encontro em Cruz das Almas (BA), que abriga um dos campi da UFRB, na sexta-feira (18).

 

Filha de um agricultor e de uma marisqueira analfabetos, Chirlene nasceu e foi criada em uma comunidade quilombola do Recôncavo, onde também viveram seus avós. “O senhor mudou a vida de milhões de brasileiros como eu, ao olhar para os pobres e negros do Brasil. Essas políticas de inclusão são uma reparação histórica, mas a burguesia surta quando vê a senzala ocupando os lugares que eram só deles”.

 

A visita de Lula à UFRB e à cidade de Cruz das Almas foi a segunda etapa de seu roteiro pelo Nordeste, iniciado na última quinta-feira (17), em Salvador. A proibição de um juiz à entrega do título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente não impediu que a instituição o recebesse. Sem a honraria formal, o que houve foi o encontro caloroso da comunidade acadêmica com o grande incentivador da expansão das universidades públicas no Brasil.

 

O reitor da UFRB, Silvio Soglia, presenteou Lula com uma representação do machado de Xangó, o orixá da Justiça na tradição que os baianos herdaram de seus ancestrais africanos. Depois da manifestação de apoio do reitor da UFBa, João Carlos Salles, Soglia e a comunidade da UFRB receberam a “irrestrita solidariedade” do presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais do Ensino Superior (Andifes), reitor da Universidade Federal do Pará, Emmanuel Zagury Tourinho.

 

Segundo Zagury o ataque à autonomia da UFRB é “um ataque à universidade brasileira, grave e inaceitável” para todos os reitores e reitoras “que percebem a gravidade do momento que vivemos e o perigo das iniciativas que a cada dia testemunhamos de invasão do espaço institucional universitário com decisões que buscam submetê-lo a entendimentos alheios à sua missão”.  O presidente da Andifes ressaltou, ainda, o papel essencial da autonomia para que as universidades cumpram sua função na sociedade, “que a resguarda de injunções políticas e de interesses oportunistas”

 

A recepção  carinhosa na UFRB, a euforia da multidão que lotava as ruas de Cruz das Almas e o diálogo com os participantes do Encontro da Juventude, que  estava em curso na cidade, porém, parecerem satisfazer plenamente a Lula. “O título meu é o de cada um de vocês que receberam seus diplomas. Este, juiz nenhum vai conseguir tirar. É para sempre”, disse Lula à multidão que o esperava em Cruz das Almas.

 

Diplomas como o que Journey Pereira está prestes a conquistar em Engenharia Florestal na UFRB. O futuro formando era um dos milhares de baianos que aguardavam Lula em uma praça da cidade. “A Universidade Federal do Recôncavo é a prova concreta da mudança na lógica que estava enraizada, segundo a qual só filhos de ricos teriam acesso ao ensino superior”, avalia. Ele conta que ao receber a notícia de sua entrada na universidade, sua mãe chorou. “Ela trabalhou tanto, duas vezes viúva, cinco filhos para criar, praticamente sozinha. Nunca imaginou que um desses filhos ia entrar numa universidade pública, graças a Lula”.

 

Não é uma conquista qualquer. Com parentes espalhados pela Bahia e Sergipe, Journey é o primeiro de sua família a chegar ao ensino superior. Além da carreira de engenheiro florestal, ele ressalta a importância de ter tido a chance de fazer um intercâmbio de um ano e meio na França, pelo programa Ciência sem Fronteiras, criado no governo Dilma — um dos primeiros legados dos governos petistas que Temer fez questão de destruir.

 

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