Ato em Belém marcará resistência ao recrudescimento da violência no campo

16-Jun-2017

Artistas, parlamentares, militantes dos direitos humanos, representantes de movimentos sociais e trabalhadores do campo e da cidade vão transformar Belém (PA) num foco de resistência contra o golpe e contra a violência no campo. Um grande ato nacional, marcado para segunda-feira (19), na Praça da República, servirá de alerta para o exponencial aumento dos conflitos agrários após a quebra do pacto democrático que colocou no poder o ilegítimo presidente Michel Temer.

 

A escolha do Pará como palco do evento tem relação direta com a concentração de assassinatos naquele estado em decorrência de disputas por terra. Das 37 mortes provocadas por conflitos agrários no Brasil em 2017, dez ocorreram em um único episódio no Pará – o massacre ocorrido no município de Pau D’Arco. A chacina – no dia 24 de maio – resultou de uma ação de policiais civis e militares que tinha como objetivo cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão.

 

Outro dado relevante que justifica as atenções voltadas para os conflitos na região amazônica é que, das 61 mortes em todo o Brasil em 2016, 48 ocorreram na Amazônia Legal, que compreende Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte dos estados do Maranhão e Mato Grosso. “Esses crimes não acontecem gratuitamente, são respaldados pelos setores mais retrógados do agronegócio e dos herdeiros da escravidão e do latifúndio”, afirma o deputado Patrus Ananias (PT-MG).

 

Ao fazer convite à militância para participar do ato em Belém, Patrus – que já foi ministro do Desenvolvimento Agrário, pasta extinta pelo golpista Temer – disse que essa luta se volta a quebrar privilégios em nome de um projeto maior de nação. “Quero manifestar a minha solidariedade às famílias e a todas as pessoas que no Pará e em todo o território nacional lutam para ter uma vida digna e para dar sua contribuição ao desenvolvimento e à soberania do nosso País”, pontua.

 

A manifestação será precedida por um seminário para debater o acirramento da violência agrária, que será realizado no auditório do Sindicato dos Bancários, em Belém. Nas duas mesas de debate, os participantes vão abordar “A conjuntura Política e Agrária e as Raízes da Violência no Campo” e “O Contexto de Criminalização das Lutas e os Desafios dos Movimentos Sociais”. Durante o evento, será aprovada a Carta de Belém, com diretrizes de luta e de resistência.

 

Resistência – O ato nacional é uma promoção da Frente Brasil Popular, da Frente Brasil sem Medo e do Comitê Paraense de Combate à Violência no Campo, que vem intensificando os protestos e manifestações desde o massacre de Pau D’Arco. Os integrantes do comitê estão empenhados em reforçar o pedido de federalização das investigações para garantir a segurança e a isenção necessária para a elucidação dos assassinatos.

 

Diferentemente da versão dos policiais de que houve confronto anterior aos crimes, testemunhas oculares da chacina ouvidas pelo Ministério Público reforçam o fato de que os posseiros assassinados na fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, foram, na verdade, executados. Nenhum dos policiais que participaram da ação saiu ferido. O número de mortes nesse episódio é o mesmo do contabilizado no Massacre de Corumbiara, em Rondônia, em 1995. No ano seguinte, foi a vez do Massacre de Eldorado dos Carajás, também no Pará, com 19 executados.

 

Fonte: PT na Câmara/Foto: MST

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