Lula: apurar a corrupção é essencial, mas economia não pode parar

22-Jan-2016

O Brasil não pode parar enquanto se apuram denúncias de corrupção, pois é a parcela mais carente da sociedade que paga o preço mais alto pelos impactos econômicos causados pela crise. O alerta é do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ao longo de mais de três horas conversou com blogueiros progressistas, na quarta-feira (20), na sede de seu instituto, em São Paulo.

 

“Se tem corrupção, apura de um lado. Mas o investimento tem que continuar", defendeu Lula, referindo-se aos impactos da Operação Lava Jato na economia. Segundo consultorias econômicas citadas pela grande imprensa, as investigações sobre ilícitos na Petrobras e outros setores podem ter provocado uma queda de até 2,5% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2015.  
 

Quem paga a parte mais amarga da conta, aponta o ex-presidente, são os setores mais pobres, enquanto segmentos da direita investem na versão da “corrupção generalizada” como instrumento de disputa política. Para Lula, é preciso reagir. “O governo foi eleito para governar e não pode permitir que uma minoria paralise o País com uma pauta negativa”.


Existe uma tese de que uma quadrilha teria sido montada nos governos petistas para roubar a Petrobras. É uma tese. Mas é engraçado que todos os funcionários envolvidos  são funcionários de carreira com mais de 30 anos de casa. Quando eles foram nomeados, não houve denúncia de nenhum trabalhador. Não houve denúncia de nenhum diretor”, apontou o ex-presidente.

 

Ele acredita que a maioria da sociedade brasileira vai reconhecer que o atual processo de investigações levado a cabo pela Polícia Federal, Ministério Público e pela Justiça só está em curso porque os governos petistas criaram as condições para isso. “Dilma será reconhecida e enaltecida neste País pelo que ela criou de condições para permitir que todos saibam que têm de andar na linha, e se não andarem na linha serão punidos, do mais humilde ao brasileiro de mais alto escalão”, declarou.

 

Lula lembrou que não é investigado na Operação Lava Jato—como já reconheceu o próprio chefe das investigações, o juiz federal Sérgio Moro. “Não tem neste país uma viva alma mais honesta do que eu, nem delegado, nem promotor do Ministério Público, nem empresário, nem na Igreja. Pode ter igual, isso sim. Aprendi com uma senhora analfabeta, que me disse: ‘meu filho, se você for honesto, poderá andar de cabeça erguida”, afirmou.

 

Sobre os petistas envolvidos nos escândalos, ele defendeu que cada um deve responder pelos atos que possa ter praticado. "Espero que os companheiros sejam julgados e que tenham respeitados seus direitos humanos. E que o PT siga a sua vida”. Ele, porém, repudia o processo de caça às bruxas seletivo e o clima geral de pré-julgamento criado pela imprensa e setores conservadores. “Impera a tese de que não importa o que vão dizer os juízes, porque mesmo que a justiça absolva, o sujeito já está condenado pela imprensa.

 

Quem é culpado tem de ser preso, mas, para isso, precisa ser julgado”. Esse clima, alerta o ex-presidente, não favorece à consolidação da democracia. “Está na hora da sociedade brasileira acordar e exigir mais democracia, mais respeito pelos direitos humanos e mais fortalecimento das instituições.”
 
Cyntia Campos
Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula

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