Lama de barragem que se rompeu em MG não é tóxica

26-Nov-2015

 

A lama liberada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco em Mariana (MG) não despejou material tóxico dentro da bacia do Rio Doce, o que significa que ela não é tóxica. A conclusão é do Serviço Geológico Nacional (CPRM), que desde os primeiros dias após o acidente, em 5 de novembro, realiza análises para monitorar a qualidade da água bruta do rio.

 

Segundo Stenio Petrovich, diretor de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM, os testes realizados em 13 pontos do rio Doce, da região onde ocorreu o rompimento até a foz, não deixam dúvida sobre a ausência de toxicidade da água bruta do rio.

 

“O que a análise da água e dos sedimentos mostra é que não havia presença de elementos tóxicos naquela barragem. Não havia contaminação, porque, se houvesse, isso estaria presente na água numa quantidade superior à que existe historicamente na região, e isso não ocorreu”, disse o geólogo.

 

Os resultados das análises de 40 amostras, que estão sendo feitas pela CPRM a cada dois dias, desde o dia do rompimento da barragem do Fundão, mostram que não houve aumento da presença de metais pesados na água em comparação com o histórico da região, cuja água tradicionalmente contém quantidade mais elevada de metais por causa da mineração.

Em 2010, órgão fez uma campanha de análise da água e sedimento na região do quadrilátero ferrífero, em Minas Gerais, e os resultados encontrados agora são bastante semelhantes aos de cinco anos atrás.

 

“Os testes não identificaram a presença de nenhum metal pesado acima dos limites estabelecidos pela resolução do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente] para a qualidade da água bruta. Existem diversos metais na água, porque eles existem na natureza, mas não em uma quantidade anormal”, acrescentou Petrovich.

 

Água precisa ser tratada

De acordo com o diretor do CPRM, a água do rio Doce está apta para ser tratada e posteriormente consumida pela população. Ele alerta, no entanto, que a potabilidade para o abastecimento só pode ser verificada pelas companhias de saneamento e abastecimento locais. “Esse é o maior desafio no momento”.

 

As mortes de peixes e outros animais ocorridas na região não estão relacionadas à contaminação da água por material tóxico, segundo Petrovich, mas à turbidez do rio, que provoca diminuição significativa na quantidade de oxigênio dissolvido. A turbidez refere-se à presença de partículas em suspensão na água.

 

Os resultados obtidos nas coletas mostram uma quantidade de material em suspensão muito acima dos valores observados pela CPRM em 2010. A turbidez indica como a água deverá ser tratada.

 

Apesar da falta de elementos tóxicos, o especialista recomenda que os moradores das regiões próximas ao rio evitem o consumo ou contato direto com a água, por conta da quantidade de sedimentos lançadas no rio. “A água não é tóxica, mas está suja”, concluiu.

 

Fonte: Portal Brasil

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