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Pará ganha Memorial dos Povos Originários da Amazônia Verônica Tembé


Foto: Ascom / Secult

Às vésperas de completar 405 anos de fundação, Belém ganha o primeiro espaço dedicado exclusivamente à promoção, valorização e difusão da cultura material e imaterial dos povos indígenas no Pará: o memorial Verônica Tembé, na área da antiga Casa da Mata, no Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna. A solenidade de inauguração ocorreu na manhã desta segunda-feira (11) e contou com a presença do Governador do Estado, Helder Barbalho, o vice-governador, Lúcio Vale, da Secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal e o diretor do Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM) do Pará, Armando Sobral, além de representantes da câmara dos vereadores e da presidente do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio), Karla Bengtson.


Foto: Ascom / Secult

“Este momento ele deve servir para que não apenas que possamos nos provocar a discussão de políticas públicas que permitam com que os povos indígenas brasileiros, e claro, do nosso Estado, possam ter a certeza de que os governos e as instituições reconhecem os direitos e devem trabalhar para a preservação de todos os povos indígenas. Aqui no Parque do Utinga você pode viver a experiência da nossa região, poder ter contato com a fauna, poder ter contato com a história, com a memória dos povos indígenas e este é o nosso objetivo. É fazer com que as pessoas possam ter conhecimento para valorizá-lo, e garantir com que a memória daqueles que construíram a nossa chegada até os dias de hoje, possa estar sempre viva e, claro, reafirmando o compromisso do estado do Pará, em respeitar as diferenças, em valorizar a memória do nosso estado e a todas as etnias existentes em território paraense, a certeza de que o Governo do Estado deseja construir com que estes possam viver harmonicamente e, claro, ter acesso a políticas públicas de inclusão, preservando memórias, preservando suas culturas, mas ao mesmo tempo, ofertando saúde, ofertando educação, ofertando direitos e, claro, harmonizando entre todos nós”, destacou o Governador Helder Barbalho, na ocasião.


Foto: Ascom / Secult

Durante a solenidade de inauguração, a Secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal, destacou a origem do acervo que compõe a primeira mostra do espaço. “Essa terra tem milhares de anos de história, de cultura, de ancestralidade, de práticas de saberes e fazeres. Nós ainda precisamos mergulhar muito na história do Brasil pra entendermos a matéria simbólica, histórica emotiva, afetiva da qual somos feitos. Esse memorial aqui é também um resgate da história das pessoas, que estão construindo esses momentos e esses espaços de valorização da nossa história. O acervo que nós temos, nós queremos repatriar para a cidade de Santarém, para a Vila de Alter do Chão, porque é de lá que ele vem, foi um americano que fez a juntada por meio do seu amor e do seu respeito pelos povos indígenas de todo esse acervo que está sobre a salvaguarda do estado, esta exposição não é uma exposição permanente, é uma exposição temporária, até que nós possamos devolver à população de Santarém num espaço adequado, com uma reserva técnica adequada, com todo cuidado para preservação desse acervo de mais de 1700 peças, pra que ele volte pra o seu lugar de origem e para que nós possamos ao longo dos anos receber também o acervo e outras populações indígenas da nossa Amazônia tão rica”, aponta Ursula.


Segundo a presidente do Ideflor, Karla Bengtson, "das 26 Unidades de Conservação do Estado do Pará, essa é a primeira a receber esse espaço extraordinário de sensibilização e valorização dos povos indígenas. Um trabalho feito em parceria com a Secult, que nos estimula a ir além. Compreendemos isso como um momento histórico para o Estado, oportunizando à sociedade ter acesso a um acervo tão maravilhoso, que conta a história do nosso povo. Merecida homenagem à Verônica Tembé".


Memorial Verônica Tembé


A Casa da Mata foi projetada em 1994 pelo arquiteto Milton Monte durante a gestão do então governador e atual senador, Jader Barbalho. Agora, requalificado, o espaço entra para a história como o primeiro dedicado exclusivamente à promoção, valorização e difusão da cultura material e imaterial dos povos indígenas, no Pará. O nome do espaço é uma homenagem à Verônica Tembé - Hai Rong Tuihaw é dedicado à primeira cacica dentre os Tembé-Tenetehara, que atuou como notável articuladora política e lhe rendeu o reconhecimento como uma das mais importantes lideranças indígenas da Amazônia paraense, contribuindo diretamente para a consolidação de outras lideranças femininas.


Foto: Ascom / Secult

Nascida na aldeia do Cocal, região do Gurupi, em 1917, foi responsável por reunir os Tembé, então dispersos pela região, em torno de um novo assentamento, a aldeia Teko Haw, a partir da qual atuou de maneira incansável pela preservação da identidade Tenetehara. Grande conhecedora da medicina tradicional e da história de seu povo, durante décadas foi responsável pela organização das festas e pelo aprendizado dos mais jovens, ensinando a cosmologia e a língua. Sua militância foi essencial para a homologação da Terra Indígena do Alto Rio Guamá (TIARG), em 1993.


Como primeira mostra, o espaço apresenta peças pertencentes ao acervo do antigo “Centro de Valorização do Saber Indígena, Museu do Índio” – que existiu em Santarém -, atualmente sob a salvaguarda do Sistema Integrado de Museus. A coleção, hoje constituída de mais de 1800 itens, foi catalogada e vem sendo restaurada pelo SIMM. Nas oito vitrines do memorial, 168 objetos refletem os hábitos, costumes e saberes de diversas etnias que residem na região amazônica.


"O Memorial é um espaço voltado para difusão e fortalecimento da cultura indígena do estado do Pará e da Amazônia, de maneira geral. Que abrange a região Norte e Centro-Oeste. São 168 itens de um acervo de 1700 peças que constituem o acervo do índio, que hoje está sob a guarda do sistema integrado de museus. E como projeto, ele é um projeto pioneiro e que vem a ser um trabalho que se pretende aí difundir pelo Estado como uma política também de salvaguarda e de fortalecimento eh da cultura indígena aqui no Estado do Pará”, explica Armando Sobral, Diretor do SIMM e curador da exposição.


Fonte: Agência Pará