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CPI: lobista amigo dos Bolsonaro praticou tráfico de influência no governo

Militante do ‘Vem Pra Rua’ e amigo de Jair Renan, Marconny Faria ajudou a montar plano para fraudar licitação na Saúde. Ligada ao lobista, Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro, será convocada à CPI

Marconny em depoimento à CPI nesta quarta: ele é suspeito de atuar como lobista em compra de vacina - Foto: Pedro França/Agência Senado

O lobista Marconny Nunes de Faria, mais um “cidadão de bem” bolsonarista envolvido em falcatruas no Ministério da Saúde, foi interpelado pelos senadores da CPI da Covid, nesta quarta-feira (15). Amigo de Jair Renan Bolsonaro, o 04, Faria, conhecido por ser militante do “Vem Pra Rua”, é apontando como um dos operadores da chamada “arquitetura ideal”, uma espécie de caminho do crime para fraudar licitação na Saúde e favorecer a empresa Precisa Medicamentos. Trata-se de uma concorrência para aquisição, pelo Ministério da Saúde, de testes rápidos para detecção da Covid-19.

Faria também está sob investigação por tráfico de influência no governo Bolsonaro. O advogado é suspeito de receber dinheiro para interferir na troca da direção do Instituto Evandro Chagas, vinculado ao Ministério da Saúde, em Belém. O lobista inclusive foi convocado depois que o Ministério Público cedeu à CPI o conteúdo de seu celular, apreendido durante a Operação Hospedeiro.

O lobista trocou mensagens com Renan e sua mãe, Ana Cristina Valle, para ajudar o filho de Bolsonaro na abertura de uma empresa. Durante a oitiva, os senadores aprovaram a convocação da ex-mulher de Bolsonaro para depor à comissão. Ele também é amigo pessoal de Karina Kufa, advogada de Jair Bolsonaro, que também deverá prestar esclarecimentos sobre a prática de tráfico de influência no governo Bolsonaro.

Também amparado por um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, o lobista deu poucas respostas à comissão. Irritados, os parlamentares decidiram que Faria passou à condição de investigado pela CPI. Quando confrontado pelos senadores sobre seu papel nos processos na Saúde, Marconny descreveu a si mesmo apenas como um especialista em assessoramento técnico-político. O lobista teria atuado ainda, segundo ele, como analista de “concorrência política”, o que deixou os senadores atônitos, tentando entender o que o termo significa.

Os senadores revelaram que Faria trabalhou diretamente com os diretores da Precisa, Francisco Maximiano e Danilo Trento, o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, e o ex-secretário da Anvisa, Ricardo Santana, na elaboração de um passo a passo para fraudar o certame na Saúde. Questionado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) sobre a arquitetura do crime, Faria cometeu um ato falho e disse “isso foi enviado pela parte técnica da Precisa, senhor senador”, confirmando a existência do esquema.

Senador oculto

Em uma das mensagens contidas no celular de Faria e em posse da comissão, o lobista cita um senador que ajudaria a “desatar um nó” nas negociações na Saúde. Ele recusou-se, no entanto, a identificar o parlamentar oculto.

“Vossa Senhoria diz que tinha uma empresa de consultoria empresarial e política. Veja, que consultoria política se poderia prestar a uma empresa que quer vender teste e vacina para o governo brasileiro?”, indagou o Senador Humberto Costa (PT-PE).

“Ao invés de [produzir] um documento político”, afirmou o senador, “[Faria] participou diretamente de tratativas que diziam respeito à possibilidade de venda de testes. Seria assessoria política ter a intermediação de um senador que a gente não sabe quem é?”, especulou o petista. Costa apontou a contribuição de Faria à CPI, ao revelar a cartilha sobre como agir para fraudar uma licitação, inclusive com a participação do alto escalão do Ministério da Saúde. “O depoimento é relevante, reconhece a origem do documento que traçava o passo a passo”, apontou o senador, observando ainda que trata-se de uma informação fundamental para o relatório final da CPI.

Tráfico de influência

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) citou trechos de conversa entre Faria e Ricardo Santana e a ex-mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Vale, para demonstrar a atuação do lobista. “O senhor praticou tráfico de influência na Defensoria-Geral da União”, observou Carvalho, lembrando que Faria indicou pessoas para cargos técnicos no governo Bolsonaro, valendo-se de sua relação com a mãe do filho 04.

Carvalho enumerou outros crimes cometidos por Faria, como a obtenção de informações privilegiadas sobre investigações sob sigilo da Polícia Federal. “E esse era o governo que vinha para acabar com a corrupção, o governo que estava desaparelhando o Estado brasileiro, que estava dando uma conformação técnica à nova política”, ironizou o senador. “A “nova política” é a pior política que temos visto: do desemprego, da fome, da miséria avançando, da falta de política industrial, de educação, de corte de recursos na ciência e tecnologia, da corrupção e da falta de vacina. Esse é governo que Vossa Senhoria foi para a rua defender”, ressaltou o senador.

O parlamentar revelou ainda que o lobista agiu politicamente junto a vários ministros, inclusive do Judiciário, para favorecer aliados e incriminar adversários. “O senhor atuou nesse forte esquema de corrupção de Bolsonaro, repleto de comparsas, que mostra a formação de uma quadrilha no coração da República”, espantou-se Carvalho.

Golpistas e corruptos

Rogério Carvalho também lamentou as manifestações políticas de pessoas como Faria, um defensor da família e dos bons costumes que ajudou a destruir o país, a partir do golpe contra Dilma Rousseff. “O que vocês fizeram com o Brasil, para tirar uma presidenta eleita pelo voto, para se apossar do país e produzir 587 mil mortos, em nome de um moralismo falso de combate à corrupção, feito com corrupção… Colocaram o presidente Lula na cadeia por 580 dias”, lembrou o senador.

“Vocês acordaram um monstro primitivo em parte da sociedade brasileira, dividiram o Brasil, destruíram parte da nossa indústria, e para fazer o quê? Para organizar uma ação de assalto ao nosso país”.


Fonte: Agência PT

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