Buscar

Aproveitem as oportunidades de internacionalização para alunos da graduação e pós-graduação


Foto - (Crédito: Jus.com.br)

Por Marilene Hohmuth Lopes, professora do Instituto de Biociências da USP - Muitos programas de internacionalização têm sido oferecidos por diversas instituições estrangeiras e os alunos de graduação e pós-graduação precisam estar atentos a essas chamadas. A oportunidade de estar inserido em uma atmosfera de excelência em pesquisa e ensino no exterior permite ao aluno um ambiente de ensino e científico mais diversificado e cosmopolita, impactando suas carreiras no longo prazo. De fato, atualmente a dimensão internacional tornou-se parte integrante das atividades de educação e pesquisa científica.


Ao tomar conhecimento do The Sanger Prize Competition, concurso organizado anualmente pelo Wellcome Sanger Institute, centro mundialmente renomado de pesquisa genômica, percebi uma excelente oportunidade para uma das alunas do meu grupo. O prêmio proporciona a alunos de países de baixa ou média renda a oportunidade de realizar um estágio científico no Wellcome Sanger Institute por um período de três meses, com todas as despesas financiadas pelo instituto. Assim, encorajei minha aluna, Jacqueline Marcia Boccacino, da turma 28 do curso de graduação em Ciências Moleculares da USP, para aplicar ao programa. Em 2020, Jacqueline iniciou sua carreira em pesquisa como aluna de iniciação científica (IC) sob minha orientação no Laboratório de Neurobiologia e Células-Tronco do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Durante sua IC, Jacqueline participou da competição, sendo contemplada com o prêmio Sanger em maio do ano passado. Devido às condições sanitárias ocasionadas pela pandemia, o estágio só foi possível em 2022.


No Wellcome Sanger Institute, entre abril e julho de 2022, Jacqueline desenvolveu um projeto de pesquisa sobre a resposta imune adaptativa ao sars-cov-2 no laboratório da dra. Sarah Teichmann, sob a supervisão do pós-doutorando dr. Rik Lindeboom. Seu trabalho fez parte do Covid-19 Human Challenge Project, um projeto inovador desenvolvido no Reino Unido que visa a desvendar como a resposta imune adaptativa ao sars-cov-2 se desenvolve em seres humanos ao longo da infecção viral. Tal projeto conta com um conjunto de dados único no mundo, em que se tem informações genômicas com resolução celular obtidas a partir de amostras da nasofaringe e sangue periférico de indivíduos expostos de forma controlada ao coronavírus. O que torna os dados únicos é o fato de que as amostras foram coletadas tanto antes quanto após a inoculação do agente patogênico, o que permite a obtenção de um panorama abrangente de como a resposta imune adaptativa se estabelece durante o curso da doença e como cada subpopulação de células imunes se comporta.


O projeto da Jacqueline envolveu a análise e integração de dados de sequenciamento de RNA e V(D)J com resolução celular, permitindo a investigação da expressão de genes e receptores de células T, respectivamente, em nível de células individuais. Jacqueline e Rik trabalharam juntos na análise dos dados e no desenvolvimento de abordagens para investigá-los, visando a encontrar padrões de respostas de células T e clonotipos específicos ao sars-cov-2. “As análises revelaram uma dinâmica inesperada do repertório imune no local da infecção pelo coronavírus e demonstraram a importância de subtipos de células T previamente subestimados na resposta imune durante a covid-19”, afirmou Rik.

“Durante seu tempo no grupo, a Jacqueline superou as expectativas de todos ao trabalhar de forma altamente independente na implementação de análises de ponta que tiveram uma contribuição significativa para o entendimento da covid-19. A aluna foi convidada pela Sarah e outros membros do grupo a apresentar seus resultados nas reuniões do laboratório e recebeu uma oferta de emprego como bioinformata num dos grupos mais proeminentes de pesquisa sobre o câncer aqui no Wellcome Sanger Institute, o que evidencia ainda mais a ótima impressão que ela causou por aqui.”


Tendo colado grau em 10 de agosto de 2022, Jacqueline se formou cientista molecular pela USP e retornará ao Wellcome Sanger Institute em outubro de 2022 como bioinformata no grupo de Genética Experimental do Câncer, liderado pelo dr. David Adams. “A experiência no Wellcome Sanger Institute foi incrível e pude aprender um mundo de coisas novas a partir do projeto de pesquisa que desenvolvi no grupo da Sarah Teichmann”, afirmou Jacqueline. “Sou muito grata pela oportunidade que tive por ganhar o prêmio Sanger e estou muito animada para retornar ao instituto ainda este ano para fazer parte do projeto Dermatlas, que busca criar um atlas genômico dos mais diversos tipos de câncer de pele. Agradeço todo o aprendizado e oportunidades durante minha graduação como aluna do curso de Ciências Moleculares da PRG e como bolsista Fapesp de Iniciação Científica no Laboratório de Neurobiologia e Células-Tronco do ICB, sob coordenação da professora Marilene Hohmuth Lopes.”


Recomendo aos alunos de graduação e pós-graduação buscarem na web, em websites de diferentes universidades e institutos, os programas de intercâmbio em vigor. Aproveitem as oportunidades internacionais, não deixem de aplicar.


Fonte: Jornal da USP