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Acordo facilitará pesquisas da USP para entender hábitos do brasileiro na internet


A cada clique nosso em computadores, tablets e smartphones conectados à internet geramos uma quantidade enorme de dados. São informações sobre hábitos de compras, de relacionamento em redes sociais, acesso à educação, entre tantos outros exemplos. Toda a atividade digital em endereços que terminam em “.br” são registradas pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), gerando um banco de dados sobre a vida dos brasileiros na internet.

Professores, pesquisadores e alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em São Paulo, terão acesso a esses dados permitindo aprofundar estudos sobre o desenvolvimento da internet, os impactos socioeconômicos das tecnologias de informação e comunicação no Brasil. No dia 20 de julho, a faculdade e o NIC.br celebraram um acordo de cooperação.

O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br foi criado para implementar as decisões e os projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br, que é o responsável por coordenar e integrar as iniciativas e serviços da internet no País. As atribuições da entidade vão desde registro de nomes de domínios na internet, segurança, tecnologias web a produção de indicadores sobre o acesso à internet. É justamente essa última área que o acordo da FFCLH se concentra.

“Regularmente, produzimos 10 pesquisas de abrangência nacional sobre o acesso à internet no País. Elas são abertas e publicadas para contribuir com dados para pesquisas e políticas públicas”, explica Fábio Senne, coordenador de pesquisa em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) do Cetic.br.


O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) é o braço do NIC.br que coordena a produção de dados e estatísticas organizadas em relatórios a partir dos seguintes temas:


  • mapeamento do acesso às TIC nos domicílios urbanos e rurais do País e as suas formas de uso por pessoas de 10 anos de idade ou mais

  • medição de como está a adoção das tecnologias de informação e comunicação em pequenas, médias e grandes empresas

  • entrevistas com comunidade escolar (alunos, professores, coordenadores pedagógicos e diretores) para mapear o acesso e uso das TIC em escolas públicas e privadas de educação básica

  • investigação sobre a infraestrutura e a disponibilidade de aplicações em TIC nos estabelecimentos de saúde, além de investigar o uso por médicos e enfermeiros 

  • uso da internet por crianças e adolescentes, produzindo indicadores sobre oportunidades e riscos relacionados à participação on-line da população de 9 a 17 anos

  • investigação do acesso, o uso e apropriação das tecnologias de informação e comunicação por organizações como ONGs, associações, fundações e organizações religiosas

  • mapeamento das empresas provedoras de internet em termos de serviços oferecidos, atuação no mercado e adoção de tecnologias

  • investigação do uso das das TIC nos órgãos públicos dos entes federativos (União, Estados e Municípios) e dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público

  • mapeamento da oferta de acesso à internet por centros públicos de acesso apoiados pelo governo federal, em especial os telecentros

  • uso e a adoção das TICs em espaços culturais brasileiros, tanto em sua rotina interna de funcionamento quanto na relação com os seus públicosSenne destaca que o acordo com a FFLCH permitirá acesso a microdados desses estudos de acordo com o direcionamento de cada pesquisador. “Eles poderão aprofundar as discussões sobre o impacto das tecnologias de informação e comunicação, principalmente do ponto de vista da sociologia e ciências políticas.”

Para o professor Glauco Arbix, do Departamento de Sociologia da FFLCH, a digitalização da sociedade é cada vez maior, e isso gera dados valiosos para entender o perfil das pessoas, os tipos de transações econômicas, como está caminhando a automação das empresas. “O acordo abre um universo de possibilidades para o pesquisador ‘montar os cenários’ de seu estudo sem restrição a dados. Antes tínhamos acesso aos relatórios do NIC.br, mas não aos microdados que permitem trabalhar diferentes realidades que não eram abordadas nos relatórios.”

E ele dá um exemplo atual de como os dados ajudam os cientistas em seus estudos com a aprovação do auxílio-emergencial durante a pandemia causada pela covid-19. Arbix e um grupo de pesquisadores analisaram a população que deveria receber a verba, mas o dinheiro não chegou.

“Sem acesso ao banco de dados do NIC.br não conseguiríamos fazer o cruzamento das informações entre quem não possuía renda e teria direito ao benefício, mas não recebeu o auxílio por falta de acesso à internet ou mecanismos como celular, computador e tablet”, afirma Arbix.

Os dados aos quais o professor se refere vieram do Painel TIC Covid-19 fornecido pelo Nic.br, que está coletando informações sobre o uso da internet durante a pandemia. Eles estão sendo analisados em um esforço conjunto de cientistas que buscam contribuir com políticas públicas dos governos federal, estaduais e municipais na crise causada pela covid-19.

A Rede de Pesquisa Solidária tem coordenação científica da professora da USP Lorena Barberia. No comitê de coordenação estão: Glauco Arbix (USP e Observatório da Inovação), João Paulo Veiga (USP), Graziela Castello (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento – Cebrap), Fábio Senne (Nic.br) e José Eduardo Krieger (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – INCT-Incor). O comitê de coordenação representa quatro instituições de apoio: o Cebrap, o Observatório da Inovação, o Nic.br e o Incor. 


Fonte: JORNAL DA USP