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Bolsonaro destrói Amazônia e imagem internacional do Brasil


“É uma vergonha para as brasileiras e os brasileiros. No tempo do presidente Lula, o brasileiro ia para o exterior e tinha orgulho de ser do Brasil. Agora tem só vergonha”. Foi com essas palavras que, em entrevista à Agência PT, a secretária de Relações Internacionais do PT, Monica Valente, descreveu a imagem internacional do país a partir desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder.

A percepção, segundo ela, é de que o discurso de Bolsonaro acaba por legitimar toda a destruição da Amazônia e desmorona de vez a reputação do Brasil mundo afora.

O fato é que desde o início de 2019 as notícias ruins viraram rotina na vida dos brasileiros.

O destaque negativo da semana é o número crescente de queimadas nas florestas brasileiras, principalmente no Norte e Centro-Oeste. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre janeiro e agosto de 2019, o número de incêndios aumentou 82% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já foram registrados mais de 70 mil focos neste ano.

O desmatamento é outro problema que só piorou no ano. Em julho, o desmatamento na Amazônia registrou um aumento de 278% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com o INPE. “O povo brasileiro é contra a destruição do nosso meio ambiente, da nossa biodiversidade, sabem que a Amazônia é patrimônio cultural, biológico e econômico”, afirmou a secretária de Relações Internacionais do PT.

Críticas internacionais

Todo o desgoverno de Bolsonaro ganhou não só as manchetes internacionais, como gerou críticas de líderes de potências mundiais. O encontro do G7, que acontece neste final de semana, debaterá medidas a serem tomadas para ajudar no combate às queimadas. Sanções e boicotes ao Brasil também podem entrar em pauta, devido ao descaso do país em resolver a situação.

O presidente da França, Emmanuel Macron, foi o primeiro a se manifestar sobre o desatre ambiental: “Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão de nosso planeta, que produz 20% de nosso oxigênio, arde em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos nos encontrar daqui a dois dias para falar dessa urgência!”, escreveu no Twitter.

Depois, oficialmente, o governo francês criticou Bolsonaro por mentir no encontro do G20, realizado em junho. Segundo a potência europeia, Jair assumiu compromissos ambientais durante o evento, mas não está cumprindo. Por isso, Macron já comunicou que o país irá se opor ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

Eduardo Bolsonaro, o aspirante a embaixador, chamou Macron de idiota em vídeo compartilhado nas redes sociais. Mais uma vergonha internacional do clã Bolsonaro.

Monica Valente apontou a hipocrisia de Bolsonaro ao se defender das falas de Macron:

“É muita cara de pau dele defender a soberania nacional depois de toda arepercussão internacional. A primeira viagem internacional dele foi aos Estados Unidos, onde ele entregou tudo ao Trump, como a base de Alcântara.“

Como se não bastasse, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também saiu em defesa do representante francês nas redes sociais: “Eu não poderia concordar mais, Emmanuel Macron. Nós trabalhamos muito para proteger o ambiente no G7 no ano passado em Charlevoix, e precisamos que isso continue nesse fim de semana. Precisamos agir pela Amazônia e agir pelo nosso planeta –nossos filhos e netos contam conosco.”

O fim do Fundo Amazônia

Boris Johnson, outro participante do G7, também expressou receio com o impacto das queimadas. O porta-voz do primeiro-ministro da Inglaterra declarou que Boris “está gravemente preocupado pela alta da quantidade de incêndios na floresta amazônica e o impacto de trágicas perdas nesse habitat”.

Angela Merkel, primeira-ministra da Alemanha, também demonstrou preocupação com a Amazônia. Assim como o presidente francês, Merkel planeja abordar o assunto na reunião do G7. “A magnitude dos incêndios é preocupante e ameaça não só o Brasil e os outros países afetados, mas também o mundo inteiro”, declarou Steffen Seibert, porta-voz da líder alemã.

“Ele tem se colocado contrário aos acordos multilaterais que dizem respeito às mudanças climáticas. No mundo globalizado, esses compromissos dependem da atuação de cada país signatário. O discurso de soberania nacional de Bolsonaro serve para obscurecer as responsabilidades ambientais do Brasil com o resto do mundo. As declarações dele dão ‘licença para queimar’, o que ocorre na Amazônia hoje”, denunciou Monica Valente.

A Alemanha, junto com a Noruega, financia o Fundo Amazônia, importante reserva financeira para a proteção das florestas do Norte do Brasil. O desprezo de Bolsonaro com o meio ambiente fez com que o governo alemão suspendesse repasse de R$ 155 milhões. Já o governo norueguês congelou financiamento de R$ 133 milhões . Todo esse dinheiro é essencial para a defesa da região amazônica e para o desenvolvimento de projetos de sustentabilidade na área.

Boicotes ao Brasil

A atuação do Brasil para conter os incêndios e proteger a Amazônia ameaça o acordo entre Mercosul e União Europeia. Jornais irlandeses noticiaram que o primeiro-ministro do país, Leo Varadkar, planeja bloquear o acordo, caso a situação crítica se mantenha. As ações do governo brasileiro serão monitoradas nos próximos dois anos, período em que o tratado entre sul-americanos e europeus passará pelos procedimentos necessários para sua ratificação.

Nas redes sociais, inúmeras hashtags foram criadas para criticar a atuação de Bolsonaro e do atual governo. A campanha #BoycottBrazil (Boicote o Brasil) teve adesão de usuários internacionais, que pretendem boicotar mercadorias brasileiras. As hashtagas #PrayForAmazonas (Rezem pelo Amazonas) e #ActForTheAmazon (Ajam para a Amazônia) também fizeram sucesso no Twitter. A comunidade internacional acompanha de perto a ineficácia de Jair e demonstra preocupação com o futuro do meio ambiente, ameaçado no Brasil.

Fonte: Agência PT de Notícias

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