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Doação de órgãos e tecidos é tema de Audiência Pública na Alepa


Estar em uma fila aguardando um transplante é a realidade de mais de 30 mil brasileiros. No Pará esse número é de 924 pessoas, segundo dados da Central de Transplantes do estado. A fim de debater esse cenário, a Assembleia Legislativa do Pará promoveu nesta sexta-feira (17/05), audiência pública para debater alternativas para diminuir a fila de espera para receber uma doação de córneas. A proposta é do deputado Galileu Moraes.

“O grande nó na questão dos transplantes está na captação dos tecidos e órgãos para doação. É papel do Estado dar a oportunidade a todos os paraenses de terem a melhor qualidade de vida. Mas o que vemos é que não há um trabalho eficaz nessa captação, os hospitais não possuem comissões qualificadas para abordar as famílias dos possíveis doadores e naquele momento de dor, ninguém lembra que pode autorizar uma doação”, avalia o parlamentar. "Outro ponto é a necessidade de descentralizar esse serviço. Se é difícil em Belém, imagine no interior do estado”, lamenta.

Atualmente, o Pará tem capacidade para fazer transplantes de rins e de córneas, mas o tempo de espera é em média de 38 meses, o que coloca o Pará entre os estados com mais tempo na fila por um transplante.

O representante da Central de Transplantes, Anderson Brito apresentou números dos últimos 3 anos. Em 2016, foram captados 89 doações, com 196 transplantes realizados; em 2017, foram 178 doações e 312 transplantes; e em 2018, 189 doações para 247 transplantes realizados. “A quantidade de procedimentos realizados se deve ao fato de que muitas pessoas receberam órgãos captados em outros estados que já conseguiram zerar as listas de espera, como o Ceará”, explica Anderson.

“O que falta é gestão na doação e no transplante”, afirma Ierecê Miranda, da Secretaria de Saúde. Segundo ela, a Central de Transplantes conta com apenas 16 pessoas na equipe para cobrir todo o Estado. Também falta os hospitais cumprirem o que determina a legislação. “Cabe ao Estado fiscalizar e gerir o sistema, mas os hospitais tem obrigação de criar as internas de doação de órgãos e tecidos para transplante (CDOTTs), sem isso não há como abordar as famílias e esclarecer as pessoas sobre a importância desse ato de doação”, lamenta.

Os dois lados- Entre os convidados para a audiência pública, Carina Carolina dos Santos e Caroline Lima, representaram as famílias de doadores e os receptores de doações.

Carina lembrou que o sobrinho Lucas faleceu com 24 anos, após um acidente aéreo, e a família decidiu doar as córneas dele, beneficiando duas pessoas. “Foi na dor que vimos o quanto nossos órgãos são mais importantes para quem está aqui, do que para nossos parentes perdidos”, disse. “Mas é lamentável que o Pará não esteja preparado para fazer essa captação e aproveitar as doações. Meu sobrinho era jovem, forte, saudável. Poderia ajudar muitas outras pessoas com seus órgãos, mas infelizmente o Estado não tinha a capacitação para aproveitar a doação”.

Caroline recebeu o transplante de córneas, mas lembra que teve muita dificuldade em conseguir fazer o procedimento na rede pública do Estado, por falta de estrutura. “Agradeço por que eu tive condições de superar essas dificuldades, pois moro na capital e pude buscar a ajuda que precisava. Mas imagine as pessoas que vivem no interior, a dificuldade que é se deslocarem para Belém, gastando um dinheiro que não tem para virem e aqui, viverem a insegurança de não saber se vão ser atendidas. Já vi casos de pessoas que tiveram que voltar para suas cidades sem fazer o transplante porque algum equipamento estava quebrado”, lembra.

Atualmente, as cirurgias de transplantes no Pará só são feitas em Belém e em Santarém.

Fonte: Alepa

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