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O perigo do governo Bolsonaro para a Amazônia


Ao mesmo tempo em que persegue declaradamente o futuro Sínodo da Amazônia, evento católico em defesa dos índios, ribeirinhos e demais povos da Amazônia, e que também discutirá as mudanças climáticas e conflitos de terra, o governo Bolsonaro planeja a execução de polêmicas obras de grande impacto ambiental à floresta e aos povos que lá vivem.

O Sínodo será realizado pelo Vaticano em outubro, em Roma, e contará com 250 bispos da igreja. No entanto, a pauta do encontro é enxergada pela atual gestão federal como uma “agenda da esquerda”, quando na realidade deveria ser olhada como uma agenda humanitária. Aparentemente, o governo pretende atuar firmemente contra o encontro, pois o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, utilizando os tradicionais jargões do atual presidente e levantando a bandeira da soberania nacional, declarou “Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, o GSI planeja envolver ainda o Itamaraty para monitorar discussões no exterior. Segundo outro militar da equipe de Bolsonaro, o Sínodo é contra “toda” a política do governo para a Amazônia. Escritórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias do Sínodo em paróquias e dioceses. O governo também expôs seu desejo de participar do evento em Roma, apesar de nenhum governo já o ter feito.

Ao invés do focar nas atividades ilegais de madeireiras, grandes fazendeiros, mineradoras e de biopirataria, o atual regime opta pela perseguição a ONGs e organismos internacionais que propõem a preservação do meio-ambiente e dos povos locais. Ambientalistas viraram sinônimo de inimigos. O governo declarou receio de que o evento católico prejudique a imagem do país no exterior, principalmente na União Europeia. Faltou-lhe perceber, no entanto, que tentativas de perseguição como esta é que de fato a mancham.

Ao mesmo tempo em que se ocupa da “agenda de esquerda” católica, o governo propôs recentemente duas grandes obras em uma das regiões mais preservadas da Amazônia: a extensão da BR163 até a fronteira com o Suriname, que conta com a construção de uma ponte de 1,5km de extensão sobre o Rio Amazonas, na cidade de Óbidos (PA), para conectar dois trechos da rodovia, e uma hidrelétrica pouco acima, em Oriximiná (PA).

Essas obras no noroeste do Pará afetariam a região que possui o maior território de áreas protegidas do país. Lá, existem 23 áreas protegidas e 2 milhões de hectares de floresta tropical em 11 Unidades de Conservação, além de sete territórios quilombolas e cinco terras indígenas conhecidas, dentre elas a dos Zoés, uma das comunidades indígenas ainda não contatadas.

Falta mencionar que do outro lado da fronteira, o surinameso, só há estradas após mais de 200 km de floresta, o que reforça a desconfiança do real objetivo das obras, que poderia servir mais para uma futura ocupação de atividades como mineração e agronegócio, setores esses sim, com grande presença do capital internacional. Será que é a soberania nacional mesmo que move tais interesses?

Fonte: Instituto Perseu Abramo

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