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Transferência da embaixada em Israel ameaça exportações para o Oriente Médio


O deputado federal Eduardo Bolsonaro confirmou nesta terça-feira, em Washington, que a embaixada brasileira de Tel Aviv será transferida para Jerusalém, segundo informação da mídia nacional. “A questão não é perguntar se vai, a questão é perguntar quando será”, reforçou o filho do presidente eleito, indevidamente falando em nome de um governo que sequer tomou posse. O site O Antagonista já havia divulgado que Bolsonaro e seu futuro chanceler, Ernesto Araújo, conversaram longamente sobre a mudança da embaixada.

Anteriormente, o anúncio da mudança feita por Bolsonaro em entrevista ao jornal conservador Israel Hayom provocou reações negativas junto aos países do Oriente Médio. Após as declarações, o governo do Egito adiou uma visita do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, que estava confirmada. Também o Catar protestou, pedindo ao presidente eleito que revertesse a sua decisão, por meio de comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

“As consequências dessa mudança não parecem ter desestimulado o clã a seguir em frente com esse descalabro. A decisão contraria resoluções da ONU e pode prejudicar os acordos financeiros entre o Brasil e os países Árabes”

A exportação de cerca de US$ 466 milhões para Israel contra US$ 11,2 bilhões para o bloco de países do Oriente Médio, evidencia a irresponsabilidade da medida, defendida em função de um servil alinhamento automático aos EUA. A decisão se torna ainda mais grave quando são consideradas as exportações para os países árabes da África, que totalizam mais US$ 9 bilhões. Os exportadores brasileiros de carne já demonstraram seu desconforto com a proposta que, se levada a efeito, pode trazer graves consequências para a economia, produtores e trabalhadores.

“As consequências dessa mudança não parecem ter desestimulado o clã a seguir em frente com esse descalabro”, advertiu o senador e líder da Bancada do PT no Senado Federal, Lindbergh Farias (RJ). “A decisão contraria resoluções da ONU e pode prejudicar os acordos financeiros entre o Brasil e os países Árabes”, afirma Lindbergh alertando para a gravidade das possíveis consequências. O Brasil exporta para o Oriente Médio uma grande variedade de produtos primários e manufaturados oriundos de diversas regiões do país.

Durante os governos do PT, de 2003 a 2015, o Brasil ampliou suas exportações para o Oriente Médio de um total de US$ 2,6 bilhões para US$ 9,6 bilhões, fortalecendo as relações comerciais com a região. Já no primeiro ano de seu mandato, Lula viajou à região, investindo no que se chamou de “diplomacia comercial”, postura reforçada, em 2005, com a organização do primeiro encontro de cúpula América do Sul-Países Árabes (ASPA) no Brasil. Com isso, as exportações brasileiras para o Oriente Médio cresceram mais de quatro vezes, promovendo desenvolvimento e empregos em diversos setores.

No domingo, 23, o vice presidente general Mourão descartou a medida anunciada por Bolsonaro pai e reforçada pelo Bolsonaro filho, afirmando tratar-se de “uma decisão que não pode ser tomada de afogadilho, de orelhada”. “Nós temos um relacionamento comercial importante com o mundo árabe; e competidores estão de olho se perdermos essa via de comércio”. Segundo o general, é preciso levar em conta a existência de “uma população de origem árabe muito grande em nosso país, concentrada nas nossas fronteiras”.

A proposição dos Bolsonaro ignora decisão histórica adotada pelo Brasil durante o governo do general Ernesto Geisel, em votação na ONU, que abriu os mercados do Oriente Médio ao Brasil. Em 10 de novembro de 1975, foi aprovada a Resolução 3379 da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), que considerou o sionismo como forma de racismo e discriminação racial. Em sua biografia, o general Geisel disse que, mesmo contrariando os Estados Unidos, o Brasil votou a favor da resolução.

Fonte: PT no Senado

#OrienteMédio #Israel