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Brasil à venda: Boeing terá 80% da aviação comercial da Embraer


Foto: Divulgação / Embraer

A área de aviação comercial da Embraer, considerada o “filé” da empresa por analistas por ser a mais lucrativa, está na iminência de ser “vendida” para a multinacional americana Boeing, que irá controlar 80% dessa fatia da empresa brasileira. Atualmente a Embraer é quem domina internacionalmente o segmento de aviões comerciais de 70 a 130 passageiros.

A Boeing e a Embraer anunciaram na manhã desta quinta (5) a assinatura de um memorando de entendimento que estabelece a criação da empresa que receberá a divisão de aviação comercial da brasileira. Pela proposta de US$ 3,8 bilhões, o conselho da nova empresa ficaria com brasileiros, que irão controlar 20% das ações, mas obedecendo às ordens do diretor-presidente da empresa americana, Dennis Muilenburg.

Como se não bastasse, a proposta inclui a criação de uma nova companhia também para a área de defesa, que incluiria projetos brasileiros como o avião militar de carga KC-390.

Não foi divulgado em que estágio está esse processo nem quando pretende-se finalizar a formação dessa associação.

O Sindicado dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região informou que irá exigir do governo e do Congresso nacional o veto da venda da parte mais importante da Embraer. Segundo o sindicato, o acordo “coloca em risco a soberania nacional e e milhares de empregos do setor aeronáutico”.

A nota ainda afirma que “desde que os planos de venda foram divulgados, no final do ano passado, as demissões não param de acontecer na Embraer. Embora o Sindicato não tenha acesso a números oficiais, estima-se que este ano já foram demitidos cerca de 300 funcionários”.

Os deputados petistas Carlos Zarattini (SP), Henrique Fontana (RS) e Arlindo Chinaglia (SP) afirmaram nesta quarta (4) que as negociações relativas à perda do controle acionário da Embraer para a norte-americana Boeing e sobre o acordo de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos voltados à exploração da base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, são um verdadeiro “atentado à soberania do país e um crime de lesa-pátria”.

Na opinião de Celso Amorim, diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa nos governos Lula e Dilma, a venda da Embraer representaria um ‘desastre absoluto’, do ponto de vista da política externa e da defesa nacional.

“A Embraer é estratégica por várias razões. Primeiro porque ela participa e deveria continuar participando dos nossos aviões militares. Sejam os caças que vamos adquirir, mas também fazer com a Suécia, os Gripen; sejam outros aviões, como o cargueiro, o KC-390, de grande inovação, feito com financiamento do BNDES”, ressalta.

Para o ex-ministro Aloizio Mercadante, “essa venda sinaliza que o golpe fez um realinhamento geoestratégico, que coloca a política defesa do Brasil na órbita dos interesses geopolíticos dos Estados Unidos. O governo golpista poderia ter vetado essa desnacionalização, com uso da golden share em poder da União. Contudo, preferiu, mais uma vez, submeter-se aos desejos de uma potência estrangeira. Com tal venda, o Brasil perde a sua principal empresa de alta tecnologia”.

Entenda a importância da Embraer

Fundada em 1969 como uma sociedade de economia mista vinculada ao Ministério da Aeronáutica, a Embraer rapidamente se tornou uma importante empresa multinacional, graças aos investimentos do governo Brasileiro. No ano de 1980 a companhia adquiriu o controle da Indústria Aeronáutica Neiva, que se tornou sua subsidiária, atual divisão de aviação agrícola. Entre as décadas de 1970 e 1980, a empresa conquistou importante projeção nacional e internacional com os aviões Bandeirante, Xingu e Brasília.

Em 1994 a empresa foi privatizada, mas o governo manteve assento no Conselho de Administração da empresa com ações especiais (golden share), que permitem vetar negócios e mudanças na composição acionário. Essas ações foram criadas para garantir o controle sobre o setor de defesa da empresa, responsável pela fabricação de aviões militares brasileiros, como o Super Tucano e o cargueiro KC-390.

Mesmo sendo uma empresa privada, a participação estatal na empresa seguiu alta. De 2010 a 2018, o governo brasileiro contribui com cerca de 24 bilhões de dólares com a Embraer, por meio de empréstimos do BNDES, desoneração da folha de pagamentos e outras isenções.

Fonte: Agência PT de notícias/Foto: Divulgação / Embraer

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