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CPI ouve diretores da Hydro Alunorte e observam contradições nos depoimentos


Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigam danos ambientais na bacia hidrográfica do Rio Pará em Barcarena ouviu, na última terça-feira (15.05), os depoimentos de dois diretores nacionais da empresa Hydro Alunorte. Carlos Neves, diretor presidente e Anderson Baranov, vice-presidente de Relações Institucionais. Na oportunidade houve manifestações contrarias na plateia.

Durante os depoimentos, que duraram mais de três horas, os diretores defenderam que não houve transbordamento das bacias DSR1 e DSR2 e nem vazamento de rejeitos entre os dias 16 e 17 de fevereiro deste ano, após uma intensa chuva com índices pluviométricos elevados ocorrida no município.

Afirmaram ainda que nos resíduos, liberados após a produção da alumina, existem somente traços de elementos como o alumínio, o chumbo e outros questionados pelos deputados e presentes em laudos e pesquisas de instituições de ensino e pesquisa. Negando, portanto, qualquer contribuição para contaminação de rios, igarapés e até água de poços artesanais na região de Barcarena.

“A contaminação não tem relação com as atividades da empresa Alunorte, existem várias contribuições que nós não descartamos. Nada do rio vem da empresa. Ao longo do rio, tem lixão e várias residências e não tem saneamento básico. Não sai nada da Hydro naquela região”, afirmou um Carlos Neves.

Baranov afirmou que não houve transbordamento comprovado por instituições como Semas e Ibama.

Para o relator da CPI, deputado Celso Sabino, foram observadas várias contradições no depoimento dos diretores da Hydro e as informações obtidas pelos deputados nas diligências, coleta de depoimentos, laudos e exames recolhidos.

“A Hydro nega que houve o transbordo, os técnicos e cientistas apontam para uma assinatura química que demonstra que houve o transbordo", pontuou o deputado Sabino. O parlamentar destacou ainda que a empresa confessou no depoimento que fez uso do canal velho sem ter a devida autorização para sua utilização. O canal já estaria desativado.

A empresa apontou ainda que vários outros fatores poderiam ocasionar a presença de materiais pesados em grande quantidade no leito dos rios sem a sua responsabilidade. “E os técnicos e cientistas da UFPA, Evandro Chagas e Renato Chaves apontam para as coletas que foram feitas em locais que não há a participação de esgotos de famílias ou de afluentes de lixões, então há sim contradições”, disse o relator que promete um relatório identificando a existência ou não do dano ambiental, da ocorrência de crime ambiental, com os possíveis autores, os que agiram com omissão ou com ação pra que isso ocorresse.

O deputado Coronel Neil, presidente da CPI, pediu da empresa um posicionamento mais firme sobre o desenvolvimento de projetos sociais junto às comunidades atingidas. “Queremos além de esclarecimentos sobre transbordamento, vazamento e contaminação, queremos de todas as empresas instaladas em Barcarena, projetos sociais que estão em andamento, pesquisas sobre os impactos e os atendimentos que estão sendo realizados a população afetada”, disse.

O deputado Carlos Bordalo perguntou aos diretores da Hydro se eram conhecedores de um estudo, também elaborado pela UFPA, que indica que a bauxita por eles processada, e que vem de uma mina em Paragominas, já chegaria em Barcarena por dutos, carregada de minerais extremamente agressivos ao meio ambiente. Os diretores afirmaram que não são conhecedores do estudo. “É preciso também analisar este impacto, independente do processo de transformação da bauxita feita a nas dependências da Hydro em Barcarena", concluiu.

O deputado ainda informou que recebeu uma cópia de um documento que informa que a consultoria contratada pela Hydro, ao fazer o pedido de análise das águas pelo laboratório de São Paulo, pede que não se analise a toxidade da água. “Quando você não analisa a toxidade da água você não pode medir o grau de contaminação dela”, concluiu Bordalo.

Por último, Bordalo manifestou seu protesto e estranheza com o documento encaminhado por um escritório de advocacia, assinado pelo advogado Luiz Inácio Adams, que trabalha para a Hydro, pedindo o seu afastamento da CPI e abertura de um processo disciplinar para a perda do mandato. “Isto é um absurdo. Querem me cercear. Minha atuação é livre e independente na defesa do povo do Pará e da integridade de seu território. Só quem pode retirar o meu mandato é o eleitor e o povo do Pará e isso será testado se eu for candidato”, concluiu.

A acareação, que foi cancelada devido a ausência dos técnicos da empresa de consultoria contratada pela Hydro, será remarcada. Será realizada na presença dos técnicos da empresa SGW Service, do Evandro Chagas, da UFPA, como anteriormente idealizado e agora com a presença de técnicos da própria Hydro Alunorte.

Na audiência participaram ainda os deputados Eliel Faustino, Miro Sanova e Soldado Tércio, membros titulares da CPI.

Fonte:Alepa - por Carlos Boução/Foto - Crédito: Carlos Boução

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