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Delação de Cunha pode derrubar governo Temer e complicar todo o bloco golpista, avaliam senadores pe


A prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), tem o potencial de detonar uma crise definitiva no governo Temer, caso o ex-poderoso chefão decida contar o que sabe. A avaliação é dos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Líder da Minoria, e Humberto Costa (PT-PE), Líder do partido no Senado. “Eduardo Cunha é sócio de Michel Temer. Espero sinceramente que ele agora, preso, revele o que sabe desses bastidores envolvendo o PMDB, a construção do impeachment da presidenta Dilma e outras denúncias”, afirmou Lindbergh.

Humberto acredita que o estrago de uma delação premiada de Cunha pode ir muito além de Temer e seus ministros. “Pode atingir todo o bloco golpista—PMDB, PSDB, DEM e seus—que vai ficar em muito maus lençóis”. A perspectiva de uma delação de Cunha não é mera torcida ou especulação: o ex-deputado já contratou um advogado especialista no tema, que prestou serviço a outros presos da Lava Jato que também fizeram denúncias no bojo de acordos de leniência.

“Espero que o Brasil realmente possa conhecer toda a verdade sobre o que aconteceu no impeachment e sobre a postura de vários elementos da antiga oposição, o bloco golpista, que se comportam como verdadeiros vestais, mas que na prática estão comprometidos com esse esquema até o pescoço”, afirmou Humberto Costa.

Coincidência ou não, logo após a notícia da prisão de Eduardo Cunha, foi anunciado que o presidente Michel Temer cancelou compromissos no Japão e antecipou seu retorno ao Brasil. “O medo é tão grande que Temer está voltando mais cedo da viagem internacional”, frisou Lindbergh. Para o senador, não é à toa: “A delação de Cunha poria fim ao governo golpista”.

Lindbergh Farias também destacou a discrição que cercou a prisão do ex-deputado. Desta vez não houve helicópteros, dezenas de viaturas, cobertura ao vivo na TV e outros elementos da pirotecnia que costumam cercar as operações da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. O senador espera que isso seja sintoma de uma decisão de mudar os procedimentos, afastando a atuação das instituições de Estado do espetáculo.

“Será um novo padrão de procedimento da PF ou a prisão discreta, sem espalhafato, algemas, alegorias e adereços é uma operação envergonhada, quase pedindo desculpas aos sócios do governo?”, questionou.

Lindbergh lembrou a relação de proximidade de Eduardo Cunha com o atual ministro da Justiça —a quem se subordina a Polícia Federal. Alexandre Moraes foi advogado particular do deputado cassado. “Espero que a discrição da prisão de Cunha não tenha dada a ver com isso. Seria muita seletividade”, afirmou o senador.

Por Cyntia Campos/PT no Senado

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