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Parlamentares e procuradores acusam instrumentalização da Lava-Jato com finalidade política


A operação Lava-Jato pode estar sendo utilizada com o objetivo de influenciar no resultado das eleições municipais do próximo domingo (2 de outubro). A constatação foi feita por parlamentares, advogados e até por membros do Ministério Público Federal que reagiram com indignação ou incredulidade à prisão do ex-ministro Antônio Palocci, nesta segunda-feira (26), durante a 35ª fase da operação Lava-Jato. No domingo (25), durante ato de campanha do candidato tucano à prefeitura de Ribeirão Preto (SP), Duarte Nogueira, o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, antecipou que haveria "mais Lava-Jato" nesta semana.

No discurso, o ministro (filiado ao PSDB) disse em relação à operação da Polícia Federal: "Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim". Segundo informações publicadas na imprensa, estavam presentes no evento vários integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), notoriamente conhecido pelo antipetismo.

Para o líder da bancada do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (BA), a revelação do ministro da Justiça evidencia que existe um intencional direcionamento das investigações para prejudicar eleitoralmente o PT.

“Duas características dessa operação da Lava-Jato (o anúncio prévio e a confirmação) evidenciam que ela se transformou em um instrumento político de perseguição ao PT, e um instrumento eleitoral do PSDB. Essa antecipação feita pelo ministro da Justiça precisa ser investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal independente.

Infelizmente, para as instituições e para a democracia brasileira, a Lava-Jato se transformou em um instrumento político-eleitoral”, acusou.

Em declaração pelo Twitter, o vice-líder da bancada, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), acusou Alexandre Moraes de querer “incendiar o País”.

“Esse ministro extrapolou todos os limites do razoável. É um irresponsável que quer incendiar o País, como fez com São Paulo", disse Pimenta.

O parlamentar lembrou ainda que o pedido de prisão de Palocci “não foi um pedido do MPF e sim do delegado da PF”. “Na semana da eleição. Estado de exceção declarado”, postou.

O petista perguntou ainda no microblog qual seria a reação da mídia, e de setores do ministério público e do judiciário, se um fato como este tivesse ocorrido na gestão dos ex-ministros da Justiça do governo de Dilma Rousseff.

“Só pergunto o seguinte: se o José Eduardo Cardoso ou (Eugênio) Aragão,

tivessem anunciado em um comício uma nova fase da Lava-Jato e ela ocorresse? No dia seguinte, na cidade onde eles anunciaram, qual seria a postura da imprensa brasileira e do MPF e STF? Só essa resposta me basta! ”, ressaltou Pimenta.

O procurador da República e ex-ministro da Justiça do governo Dilma, Eugênio Aragão, disse ainda que a declaração do ministro da Justiça do governo golpista “dá margem à suspeita de que ele, governo, e a Lava-Jato, estão agindo de comum acordo com finalidade política”. “Fico só imaginando se, quando ministro, eu desse uma declaração desse teor, o que aconteceria. O mundo vinha abaixo”, afirmou Aragão.

Procurador da República- A conduta do ministro Alexandre Moraes também recebeu críticas de pessoas sem nenhuma ligação com o PT ou com governos petistas. Esse é o caso do procurador da República Hélio Telho Corrêa, que atua no Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Goiás que, pelo Twitter, classificou como “grave” uma autoridade da República ser informada de operação policial secreta.

Utilizando uma expressão própria da linguagem digital, ele criticou com veemência a intromissão de Moraes na Lava Jato: “Ministro da Justiça ser informado, previamente, de uma operação policial sigilosa é grave.

Anunciá-la em palanque eleitoral #ÉPRAKABA”, tuitou.

Defesa Palocci- O advogado José Roberto Batochio, que defende o ex-ministro Antonio Palocci no âmbito da Operação Lava Jato, criticou duramente a ação deflagrada que resultou na prisão de Palocci.

"Não conheço a acusação porque ela é até o presente momento absolutamente secreta. No melhor estilo da ditadura militar. Você não sabe de nada, não sabe do que está sendo investigado. Um belo dia batem à sua porta e o levam", afirmou o advogado.

"Nós estamos voltando nos tempos do autoritarismo, da arbitrariedade. Qual é a necessidade de prender uma pessoa com domicílio certo, que é médico, que foi duas vezes ministro, que pode dar todas as informações quando for intimado. É por causa do espetáculo?", disparou Batochio.

Parlamentares petistas têm nomeado as recentes operações da Lava-Jato de "Operação Boca de Urna", por ter como objetivo influenciar nas eleições municipais contra o PT. Na fase anterior, na semana passada, o ex-ministro Guido Mantega foi preso em um hospital, enquanto acompanhava a esposa em uma cirurgia, fato amplamente criticado por juristas.

Fonte e imagem: PT na Câmara com agências

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