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Folha diz que denúncias contra Lula contradizem delações da Lava Jato


A convicção de que a entrevista coletiva convocada pelos procuradores da República de Curitiba na última quarta-feira (14) não passou de um espetáculo pirotécnico, barulhento e mal enjambrado tornou-se mais concreta neste final de semana. A manchete da Folha de S. Paulo, publicada no domingo (18), Denúncia contra Lula usa dados de delação cancelada de Léo Pinheiro deixa claro que, embora as informações do empresário tenham sido rejeitadas pela Procuradoria-Geral da República, são elas que embasam o show de Deltan Dallagnol e seus parceiros.

O próprio Dallagnol havia antecipado, um dia antes, que a delação de Léo Pinheiro era imprestável para a investigação da Lava Jato. Ou seja, ela não deve constar da denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas está claro no jogo de powerpoints mal enjambrados que essa é a base da denúncia sem provas dos procuradores.

Nesta segunda (19), em matéria Denúncia contra Lula se choca com declarações de delator da Lava Jato apresentada bem mais discretamente – página interna e à esquerda – o mesmo jornal mostra que a denúncia oferecida contra o ex-presidente Lula à Justiça contradiz as declarações de outro delator – o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Segundo consta na denúncia, Lula teria nomeado Costa para a diretoria da Petrobras sabendo que o objetivo principal seria a arrecadação para o PP. De acordo com a matéria da Folha, a acusação diz que "por determinação direta e indireta de Lula, ao conferir o cargo ao PP em troca de apoio político, a fim de que este pudesse arrecadar propina usada para enriquecimento ilícito e financiamento eleitoral, Paulo Roberto Costa, desde sua nomeação, atendeu os interesses de arrecadação de vantagens ilícitas em favor de partidos da base aliada do governo, notadamente do PP".

“As afirmações se chocam com depoimento do ex-diretor em 5 de maio de 2015 na CPI da Petrobras, no qual Costa negou ter conversado com Lula sobre o esquema”, diz o texto.

Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele e sua mulher, Marisa Letícia, são acusados de ter recebido vantagens da OAS que somam R$ 3,7 milhões. Isso apesar de não haver provas e nem sequer evidências que liguem a família Lula da Silva ao referido imóvel. Tudo não passa de conjecturas dos promotores.

A denúncia usa o acordo de delação do ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE). Ele disse ter ouvido de Lula que o petista conversava com Costa sobre arrecadação para o PP. Esse último, porém, diz o contrário.

Coluna

Também chama a atenção nas páginas do jornal da família Frias nesta segunda a coluna da jornalista Mônica Bergamo. Ela relata que ministros do Supremo Tribunal Federal estão irritados com os procuradores de Curitiba. Eles teriam classificado o comportamento deles de “espetaculoso”.

Nesse domingo (18), os advogados do ex-presidente divulgaram nota condenando o espetáculo “tosco e de populismo-midiático” promovido contra seu cliente e insistiram que “somente a presença de um juiz imparcial poderia reverter esse cenário de absoluta destruição do Estado Democrático de Direito e de rejeição às garantias fundamentais”.

Ainda nesta semana, o também midiático juiz Sergio Moro deve decidir se aceita ou não a denúncia contra Lula.

Fonte e foto: PT no Senado - por Giselle Chassot

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