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Chama olímpica encontra o mar pela primeira vez


Depois de passar pelo cerrado, pelas montanhas de Minas Gerais e pela Mata Atlântica, foi a vez das águas do litoral capixaba serem o cenário do percurso dessa terça-feira (17) do revezamento da tocha olímpica pelo Brasil. Esse foi o primeiro dia em que o símbolo olímpico chegou ao litoral brasileiro. Guarapari, Vila Velha e Vitória saudaram a passagem da tocha com passagens memoráveis.

Aos olhos de centenas de pessoas na Praia do Morro, em Guarapari, a chama olímpica

desembarcou primeiro no quintal da casa de Derek, um surfista profissional cego que conduziu uma das tochas ao lado do pai Ernesto. "Passei com a tocha na beira do mar, na frente do lugar que eu aprendi a surfar. É uma experiência única, estou muito feliz", explica o atleta. Por causa de um glaucoma congênito, nasceu sem visão, mas aprendeu a surfar há sete anos, utilizando os outros sentidos, como audição e tato.

Apaixonado por surfe, o pai Ernesto Rabelo escolheu o nome do filho em homenagem ao surfista havaiano Derek Ho – campeão mundial em 1993. Mas não esperava que a doença durante a gestação levaria à cegueira do filho. "É emocionante depois de tudo isso assistir a alegria de todos quando ele passou na praia e saber que meu filho vive do esporte", revela o pai que sempre sonhou em ver Derek pegando onda.

A ginasta capixaba Ana Paula Ribeiro foi quem acendeu a tocha de Derek. Apesar de ter saído de Aracaju só para conduzir a tocha em sua cidade natal, Ana Paula confessa que valeu cada centavo. "Estar aqui é tão emocionante quanto participar dos Jogos", conta a atleta que integra a seleção brasileira de ginástica rítmica.

Aos 27 anos, Ana Paula é a mais velha da equipe e diz não se incomodar com essa situação. "No começo eu ficava mais preocupada, mas, hoje, embora eu tenha mais chances de me lesionar, vejo que minha maturidade e experiência acrescentam muito.

Não costumo ficar nervosa antes das competições e isso dá mais segurança às demais", explica a atleta, bolsista do Ministério do Esporte.

O retorno à seleção foi em abril de 2015, após quase quatro anos longe da equipe. Porém, a decisão não foi fácil: estava de casamento marcado e com uma escolinha de ginástica cheia de alunas. Decidiu pelo sonho do ouro, apostou e ganhou. Primeiro lugar nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, ela diz que o foco agora é o Rio de Janeiro. "Foi uma escolha difícil, mas era a minha chance. Estou muito feliz com os Jogos Olímpicos no Brasil", concluiu.

Vitória

Com 32 quilômetros de percurso, a capital do Espírito Santo, Vitória, avistou a chama olímpica pela primeira vez dentro de um barco trazido por Flavinho Pitanga, veterano do vôlei de praia, após a passagem pela cidade vizinha Vila Velha.

Dos 150 condutores, alguns chamavam mais a atenção dos moradores. Bruno Soares, tenista top 10 do ranking mundial de duplas, foi um deles. De olho nos Jogos Rio 2016, o atleta revela que espera ganhar uma medalha nas duplas, ao lado de seu amigo de longa data Marcelo Melo. "A expectativa é muito positiva. Na Olimpíada é o que há de melhor, e não vejo favoritos. Estamos preparamos para ir até a final."

No entanto, o tenista não esperava mais conduzir a tocha já que estava jogando na Itália, quando a chama visitou a sua cidade natal, Belo Horizonte. "Foi uma surpresa o convite para carregar a tocha em Vitória. Tenho essa semana livre para ver minha família e deu tudo certo", conta Bruno, atleta contemplado com a Bolsa Pódio do Ministério do Esporte. A semana de descanso acaba em breve, e ele voltará para a Europa nesta quinta-feira (19).

Além do tenista, a dupla do vôlei de praia Alison e Bruno Schmidt também fizeram festa com o público. Favoritos para os Jogos do Rio, Bruno diz que não vê a hora de competir em casa. "A gente que é atleta vem se preparando, mas realmente o espírito olímpico começa agora. Já dá aquele arrepio. Vou lembrar para o resto da vida", conta Bruno que também faz parte do Bolsa Pódio – programa criado após a eleição do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos com a finalidade de patrocinar atletas com chances de disputar medalhas.

Ouro, prata e bronze

Ricardo Alex dos Santos, o Ricardo do vôlei de praia, estava radiante com a oportunidade de carregar a tocha olímpica na cidade de Vitória. Dono três medalhas olímpicas (ouro em Atenas-2004, prata em Sydney-2000 e bronze em Pequim-2008),

Ricardo se disse agraciado em participar do maior evento esportivo do planeta. "Eu já acompanhei o Emanuel na Argentina, quando a tocha passou por lá em outra edição dos Jogos, mas nada como participar em seu país, com as pessoas vibrando", lembrou. Para ele, o esporte tem o poder muito grande de transformações na vida das pessoas. "O esporte consegue mover muita coisa, ele para uma cidade, um país, por um ideal de paz, saúde. É uma emoção muito grande estar ali", finalizou Ricardo.

Quatro cidades

O Revezamento da tocha olímpica segue no Espírito Santo nesta quarta-feira (18). Depois de dormir em Vitória, a chama passará pelas cidades de Serra, Aracruz, Colatina, Linhares e São Mateus. A partir de quinta, a tocha estará na Região Nordeste. A primeira cidade nordestina a recebê-la será Teixeira de Freitas, na Bahia.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Brasil 2016

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