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Imprensa internacional começa a perceber risco de golpe no Brasil


Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

No Brasil, a grande imprensa está empenhada em propagandear o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. A mídia estrangeira, na contramão, vê a possibilidade de derrubada de um governo democraticamente eleito como um retrocesso e uma ameaça à democracia no maior país da América Latina. A maior revista alemã, Der Spiegel, publicou artigo sobre a situação política no Brasil denunciando um “golpe frio” contra o governo.

O golpe, na análise dos alemães, pode destruir todos os progressos conquistados nos últimos 30 anos. Articulado em ação conjunta por parte da oposição, a Justiça age juntamente com a maior empresa de comunicação, a Rede Globo, “para estimular uma verdadeira caça às bruxas que tem como alvo o ex-presidente Lula”, analisa o artigo, que não se furta a chamar Sérgio Moro de ambicioso e que tem o “evidente objetivo central de colocar o ex-presidente Lula atrás das grades”.

O artigo, assinado por Jens Glüsing, correspondente da revista no Rio de Janeiro foi publicado na última sexta-feira (19) e traduzido por Pedro Muñoz, doutor em História e reproduzido nesta segunda-feira (21) pelo portal Brasil 247.

Há artigos com o mesmo tom na mídia europeia. O site Público ,de Portugal, publicou, nesse domingo (20), A justiça partidária e o limiar do golpe no Brasil. A jornalista Sylvia Debossan Moretzsohn dis que Sérgio Moro "avançou todos os limites".

Segundo a articulista, o País vive sua mais grave crise política desde a redemocratização.

O espanhol El País publicou O Brasil perante o abismo, assinado pelo professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ignacio Cano, mostrando que o País, "depois de anos de crscimento e inclusão social", agora está sob séro risco não só de retrocesso, mas de degradação institucional. " No processo de polarização crescente que o país vive, a política fica cada vez mais judicializada e a Justiça se politiza, de forma que os limites entre as duas esferas estão cada vez mais tênues", diz o artigo.

Leia abaixo a íntegra do artigo da Der Spiegel:

A crise institucional no Brasil: um golpe frio

Os opositores de Lula erigiram, o que sua frágil sucessora não conseguiu desde sua posse: unificar as bases do Partido dos Trabalhadores, dos sindicatos e movimentos sociais com o Governo.

Cem mil simpatizantes de Lula protestaram ao longo da sexta-feira em todo país contra o impeachment da presidenta, que visa retirá-la do poder. Na Avenida Paulista em São Paulo, onde o termômetro para o protesto é contado, foram ocupados 11 quarteirões. As manifestações foram pacíficas e Lula mostrou uma postura conciliadora. Ele absteve-se de atacar a Justiça e conclamou para o diálogo. As palavras de ódio foram pouco ouvidas nas manifestações de Rio e São Paulo.

O mesmo não ocorreu nos protestos massivos contra o Governo do último final de semana, que juntaram um número cada vez maior de golpistas, radicais de direita e reacionários. Embora eles não sejam a maioria dos manifestantes, têm atraído cada vez mais simpatizantes. Isso tem se mostrado preocupante para ainda jovem democracia brasileira.

Pela primeira vez, desde o fim da ditadura militar em meados dos anos 80, o maior país da América Latina se vê diante de uma iminente profunda crise institucional que pode destruir todos os progressos conquistados nos últimos 30 anos. Parte da oposição e da Justiça age, juntamente com a maior empresa de telecomunicações TV Globo, para estimular uma verdadeira caça às bruxas que tem como alvo o ex-presidente Lula.

Sérgio Moro, ambicioso juiz de Curitiba, sul do Brasil, persegue um evidente objetivo central: colocar o ex-presidente atrás daS grades. Moro dirige as investigações do escândalo de corrupção sobre a empresa semi-estatal petrolífera Petrobras, no qual centenas de empresários, lobistas e políticos estão implicados, entre eles vários membros do alto escalão do partido de Lula, o Partido dos Trabalhadores.

Como num furacão, o juiz Moro varreu a elite política e econômica. Ele revelou desvios da ordem de bilhões de Reais. Mais de cem suspeitos estão na cadeia e, a maior parte, sem estarem ainda condenados. Muitos brasileiros celebram, por isso, o juiz como um verdadeiro herói nacional.

Fracos indícios

Porém, nos últimos meses os sucessos de Moro lhe subiram a cabeça. O juiz faz política, que não é a sua função. A quebra de sigilo das escutas telefônicas entre Lula e a presidente Rousseff, poucas horas depois da nomeação de Lula como Ministro, perseguiu fins políticos e fez com que o juiz fosse questionado, para pelo menos dar explicações.

Até o momento, Moro não foi bem-sucedido na elaboração de sua acusação contra Lula, embora dezenas de promotores e policiais federais em Curitiba já há meses realizam uma devassa nas finanças e relações pessoais do ex-presidente. Os indícios são ainda frágeis.

Lula não tem milhões em contas na Suíça, como o poderoso presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que foi acusado por corrupção e lavagem de dinheiro e chamado de criminoso por um juiz da Suprema Corte. Mas, isso não o fez deixar a presidência e não o impediu de ter o controle sobre a comissão responsável pelo impeachment da presidente.

Nessa referida comissão, possui lugar o ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, que foi condenado na França por corrupção, mas que não será entregue pelas autoridades brasileiras, pois é deputado federal.

Essas são as figuras responsáveis por dar a palavra sobre a deposição da presidente, que não teve até agora nenhuma culpa revelada, minando a legitimidade de todo o processo.

À reboque de Lula, adverte-se um golpe frio sobre a democracia brasileira. Há grandes motivos para se preocupar.

Veja a íntegra do artigo (em alemão) http://www.spiegel.de/politik/ausland/brasilien-hexenjagd-auf-lula-ein-kalter-putsch-kommentar-a-1083218.html

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