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Expectativa da economia brasileira em 2016 é animadora, garante Gleisi


Apesar das turbulências no mercado financeiro internacional e do cenário ainda difícil no plano interno, as perspectivas para a economia brasileira em 2016 são muito mais animadoras do que o quadro experimentado no ano passado. A avaliação é da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), membro da Comissão de Assuntos Econômicos da Casa.

Gleisi destacou que, embora o novo ano tenha começado com indicadores parecidos com os de 2015, em relação à inflação e o Produto Interno Bruto, os cenários são completamente diferentes. “A expectativa do próprio mercado para a inflação é que ela deve recuar cerca de quatro pontos percentuais. Nós vamos fechar a inflação em 2016 com menos de 7%, ou seja, quase no topo da meta”, apontou a senadora.

Em entrevista para a Rádio Senado, Gleisi elencou uma série de fatores positivos, que permitem uma expectativa otimista em 2016. Entre elas, as medidas já tomadas pelo governo em 2016 e que começam a fazer efeito. “Em 2014, tivemos um grande desequilíbrio fiscal. Especificamente em 2014, não antes, como querem julgar alguns. Em 2015, nós recuperamos esse equilíbrio e vencemos essa discussão sobre o ajuste fiscal”, lembrou ela.

Equilíbrio fiscal

No ano passado, já na retomada do equilíbrio fiscal, o governo economizou R$ 108 bilhões. “Foi o maior contingenciamento já realizado no País. Nós nunca tínhamos economizado tanto, feito tantos cortes orçamentários”. O compromisso para 2016 é fazer uma economia de 0,5% em relação ao PIB. “Pode não parecer muito, mas já é em cima dessa economia feita em 2015”, explicou a senadora.

Além disso, medidas propostas pelo Executivo já estão encaminhadas para a aprovação pelo Congresso Nacional, como a Medida Provisória da reestruturação administrativa, já aprovada pelas comissões mistas e aguardando a deliberação dos plenários da Câmara e do senado. Essa MP reduz cargos comissionados e o número de ministérios, contendo o impacto da máquina sobre as despesas públicas. Outra proposta importante, como destacou Gleisi, é a reestruturação que vai assegurar o aumento da tributação sobre os ganhos do capital.

Já em 2015, o Congresso Nacional deu uma contribuição decisiva para a retomada da tranquilidade no cenário econômico. “Foi muito importante termos aprovado a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento para entrarmos em 2016 com todos os instrumentos de política fiscal funcionando, o que vai dar maior estabilidade ao País”, apontou a senadora.

A volta do crédito

Gleisi Hoffmann destacou a importância da quitação total feita pelo governo das dívidas com os bancos públicos — “as chamadas pedaladas fiscais, que tanta polêmica geraram”. O já governo pagou, de uma vez só, mais de R$ 70 bilhões ao BNDES, Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal. “Essa é uma dívida que nós já limpamos do Orçamento e das contas fiscais”. A consequência mais benéfica dessa medida é que os bancos agora estão capitalizados e poderão voltar a oferecer crédito sem precisar de subsídios.

Para a senadora, há um outro aspecto importante, ao qual o noticiário pouco se refere: o Brasil encerrou 2015 com o menor índice de restos a pagar registrado em 10 anos. Dos R$119 bilhões de restos a pagar de 2014 para 2015, o País entrou em 2016 com R$ 87 bilhões nessa rubrica, trazidos do ano passado. Restos a pagar são as despesas feitas em um ano e que ficam para ser pagas no ano seguinte. “Conseguimos reduzir esse índice, em 2015, em quase 18%”, destacou Gleisi, ressaltando que a maior parte dessa redução foi em despesas correntes, as despesas de custeio.

Outro ponto que precisa ser ressaltado, a opinião da senadora, é que o Brasil tem hoje US$ 368 bilhões de reservas internacionais. “É a sexta maior reserva do mundo. E nós estamos exportando mais do que importando. Estamos com o câmbio favorável”.

A turbulência nas bolsas

Gleisi também alertou que é um equívoco buscar as causas da recente queda na bolsa de valores apenas na conjuntura econômica nacional. Neste começo de 2016, o Índice Bovespa vem registrando quedas que colocam o indicador nos patamares mais baixos, desde 2009, mas a senadora ressalta que essa é uma realidade muito mais ligada ao mercado externo, especialmente à turbulência enfrentada pela economia chinesa.

“É inegável que a China está vivendo uma crise e foi isso que determinou a queda das bolsas em todo o mundo. A China é o maior parceiro comercial do Brasil, então, é óbvio que um problema naquele país afeta o Brasil, assim como afeta o mercado internacional”, explicou a senadora. Ela lembra que essa é uma situação decorrente da atuação do mercado na defesa de seus interesses. “O mercado fica nervoso e joga, porque ele tem interesses próprios”.

Sobre o rebaixamento da nota de investimento do País por agências internacionais, Gleisi ressalta que o Brasil permanece como uma ótima opção. “Duvido que o mercado tenha um cenário melhor de aplicação de recursos do que o Brasil, até porque a nossa taxa de juros continua sendo a mais alta e isso tem garantido uma relação positiva de câmbio.

Atualmente, o investimento estrangeiro direto no País está na casa dos US$ 66 bilhões.

Gleisi ressalta, porém que o governo não pode e não deve tomar decisões apenas para agradar o mercado. “O governo tem de fazer mexidas estruturais — como fez — para dar mais solidez à economia, mas tem que manter um olho no mercado e outro no social. Nós temos uma País para desenvolver. Não podemos ter desigualdade social, e é disso que o governo tem que cuidar. Tem que ter um olho no mercado e outro no desenvolvimento e na melhora da qualidade de vida do povo brasileiro”.

Fonte: PT no Senado - por Cyntia Campos, com informações da Rádio Senado

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