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Paratleta brasileiro supera lesão na coluna e se torna destaque do tênis de mesa


Iranildo Espindola tinha 26 anos quando resolveu dar um mergulho no mar para limpar a areia do corpo e se refrescar após uma partida de vôlei de praia em Vila Velha, no Espírito Santo. Ele não poderia imaginar que sua vida nunca mais seria a mesma a partir daquele 20 de março de 1995. "Eu adorava esportes, ir para a fazenda, tomar banho de rio. Infelizmente fui dar um mergulho e estava bem raso", relembra.

Ao bater a cabeça e lesionar a coluna, passou por cirurgia e foi alertado: nunca mais poderia andar. Desespero é uma palavra que sempre vem à mente ao relembrar o acidente. "O primeiro diagnóstico chocante foi de que a chance de voltar a andar era de quase zero. Foi desesperador para um jovem começando a vida, em uma situação dessa."

Depois de acordar, conseguia movimentar apenas a cabeça. Estava tetraplégico, ou seja, sem movimentos nas pernas e com restrições graves para ter controle sobre os membros superiores. "Eu não conseguia comer, fazer nada sozinho. Só mexia a cabeça", recorda.

Ao longo dos anos, aceitar a nova realidade imposta pelo destino foi um dos desafios de Iranildo. Mas ele queria ir além disso. Poucos meses após o acidente interessou-se pelo tênis de mesa, mas foi desacreditado por um professor: jamais se tornaria um atleta profissional por causa da limitação que a lesão causou. "Cheguei em casa desesperado e pensei: e agora? Eu até entendo porque eu estava ali, mal conseguia mexer a mão direito", conta o mesatenista brasileiro, que para jogar precisa amarrar a raquete em sua mão.

Passados vinte anos, Iranildo é uma prova de que superação é resultado de ações, independentemente de perspectivas desanimadoras. Colecionador de medalhas, provou, não apenas tornando-se atleta profissional, mas sobretudo com suas vitórias, que aquele professor pessimista no início da carreira estava enganado.

Na classificação paralímpica de lesões, ele faz parte do grupo de nível 2, sendo a mais grave a nível 1 e a menos grave, para cadeirantes, a de nível 5. Um dos maiores nomes do tênis de mesa do mundo, ocupando, atualmente, o 13° lugar no ranking mundial do Comitê Internacional de Tênis de Mesa Paraolímpico, Iranildo tem 46 anos e não pensa em parar. Pelo contrário. Realiza o sonho de disputar uma olimpíada em seu País no ano que vem durante os jogos Rio 2016.

"Sou o maior ganhador panamericano da história e estou classificado para minha quarta paralimpíada. Estou realizado por ter superado tudo isso", desabafa o medalhista de ouro do Brasil em Toronto, Canadá, melhor participação do País na história brasileira nos Jogos Paralímpicos.

O suporte proporcionado pelo Bolsa Podio, programa de subsídio do Governo Federal para atletas de alto nível como o caso de Iranildo, é destacado por ele como fundamental para seu desempenho. "A gente está com todas as ferramentas para que chegue em competição e dispute medalha em igualdade com qualquer atleta, europeu ou asiático", comemor

Fonte: Portal Brasil

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