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Prefeitos repudiam impeachment e dizem que processo contra Dilma desestabiliza País


Dilma recebe grupo de prefeitos no Palácio da Alvorada. Para eles, análise do pedido de afastamento da presidenta está “eivada de vícios, o que denota condução desvirtuada do processo”. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

A presidenta Dilma Rousseff recebeu, nesta segunda-feira (14), no Palácio da Alvorada, um grupo de prefeitos de 14 capitais, que veio prestar solidariedade à presidenta e manifestar seu repúdio ao acolhimento do pedido de abertura de impeachment contra ela, ocorrido no dia 2 de dezembro último.

Os prefeitos afirmaram que o Brasil deve “respeitar a vontade da população que conferiu à presidenta da República o exercício de seu mandato” e que Dilma tem “demonstrado retidão institucional e compromisso público no exercício de suas funções”.

“Vale ressaltar que a análise do pedido de afastamento se inicia eivada de vícios, o que denota condução desvirtuada do processo”, acrescentaram.

Eles alertaram ainda que as dificuldades pelas quais passa o Brasil não serão superadas a partir do desrespeito à ordem constitucional. “Pelo contrário, um processo com essas características fere e desestabiliza o País”.

E defenderam um diálogo nacional baseado no respeito à civilidade democrática e ao resultado das urnas nas últimas eleições.

Confira abaixo a íntegra da nota “Em Defesa das instituições Brasileira”:

Nós, prefeitos de capitais brasileiras, repudiamos o acolhimento do pedido de abertura de impeachment contra a presidenta da República, acatado pelo presidente da Câmara Federal.

Devemos respeitar a vontade da população que conferiu à presidenta da República o exercício de seu mandato. A presidenta Dilma Rousseff tem demonstrado retidão institucional e compromisso público no exercício de suas funções.

Vale ressaltar que a análise do pedido de afastamento se inicia eivada de vícios, o que denota condução desvirtuada do processo. Por isso, os efeitos foram responsavelmente suspensos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) até a decisão do Plenário daquela instituição.

A banalização do uso do dispositivo legal do impeachment fragiliza as instituições e atenta contra a democracia. No pedido acolhido pela Presidência da Câmara dos Deputados não há atos ou fatos que respaldem o início de um processo dessa natureza. A peça se apoia em ilações e suposições que tentam, sem consistência jurídica, imputar responsabilidade à presidenta da República, como em pedidos rejeitados anteriormente.

As dificuldades pelas quais passa o Brasil não serão superadas a partir do desrespeito à ordem constitucional. Pelo contrário, um processo com essas características fere e desestabiliza o País.

Por fim, acentuamos que o diálogo nacional deve se apoiar primordialmente no respeito à civilidade democrática e ao resultado das urnas nas últimas eleições.

Brasília, 14 de dezembro de 2015,

Alcides Bernal, Prefeito de Campo Grande;

Carlos Eduardo Alves, Prefeito de Natal;

Edivaldo Holando Junior, Prefeito de São Luís;

Fernando Haddad, Prefeito de São Paulo;

José Fortunati, Prefeito de Porto Alegre;

Marcus Alexandre, Prefeito de Rio Branco;

Roberto Cláudio, Prefeito de Fortaleza;

Carlos Amastha, Prefeito de Palmas;

Clécio Luiz, Prefeito de Macapá;

Eduardo Paes, Prefeito do Rio de Janeiro;

Gustavo Fruet, Prefeito de Curitiba;

Luciano Cartaxo, Prefeito de João Pessoa;

Paulo Garcia, Prefeito de Goiânia;

Teresa Surita, Prefeita de Boa Vista.

Fonte: Blog do Planalto/ Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

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