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Polícia identifica suspeito de ataque a trem na França


IMAGEM: Stephanie Lecocq/EPA/Lusa ©

O suspeito do ataque a bordo de um trem Thalys, que fazia o trajeto Amsterdam-Paris, foi oficialmente identificado neste sábado (22) pelas autoridades francesas como Ayoub El Khazzani, um marroquino de 25 anos. Ele era conhecido do serviço secreto espanhol como membro de uma rede de terroristas islâmicos. Os passageiros que ajudaram a imobilizá-lo, e evitaram o que poderia ser um verdadeiro massacre, são tratados como heróis e serão recebidos pelo presidente francês, François Hollande.

Segundo fontes da polícia francesa, o suspeito do ataque, que poderia se transformar em uma imensa tragédia, irá completar 26 anos no dia 3 de setembro. Ele foi identificado por vários elementos materiais, entre eles, suas impressões digitais. A prisão provisória de El Khazzani foi prorrogada na noite deste sábado e pode durar mais quatro dias. Ele está sendo ouvido na sede da brigada antiterrorista da França em Levallois-Perret, na periferia de Paris.

El Khazzani era bem era conhecido da polícia da Espanha, onde viveu por sete anos. Depois de Madri, o marroquino se instalou em Algesiras, sul do país, onde ficou até março de 2014. Ele era conhecido por envolvimento com o tráfico de drogas.

Em fevereiro de 2014, os espanhóis alertaram a polícia francesa de que ele pertencia a uma rede de terroristas islâmicos radicais e tinha intenção de se instalar na França. A polícia o colocou na lista"S", onde estão nomes que representam riscos para a "segurança do país" e com suspeitas de integrar grupos com atividades terroristas.

Em maio de 2015, El Khazzani foi localizado em Berlim, onde ele teria embarcado para a Turquia, segundo os serviços de informação franceses. Para os espanhóis, o homem teria partido da França para a Síria e voltado para o território francês.

Ataque evitado

Na sexta-feira, El Khazzani embarcou no trem Thalys em Bruxelas. Armado com um fuzil kalachinikov, nove carregadores, uma pistola automática Luger e um estilete, ele teria aberto fogo às 17h50, logo depois da passagem do trem pela fronteira francesa.

Um passageiro francês, de 28 anos, empregado de um banco na Holanda, teria tentado desarmá-lo quando ele estava no banheiro. O suspeito conseguiu escapar e vários tiros foram disparados. Um deles atingiu um franco-americano. O homem, que prefere não ter seu nome revelado, retirou o fuzil do agressor, mas foi atingido por uma arma de fogo. De acordo com o chefe do serviços de emergência do hospîtal de Lille, onde foi operado, o franco-americano, de mais de 50 anos, recebeu um tiro pelas costas que atravessou seu pulmão. Ele não corre risco de vida.

Coragem

Três americanos, sendo dois militares e um estudante, e um passageiro inglês conseguiram imobilizar o suspeito. Alek Skarlatos, militar de de 22 anos, disse ter "ouvido um tiro de arma e vidros sendo quebrados". Depois, relatou "ter visto um homem com uma AK (kalashinikov)". Ele e seu amigo Spencer Stone, outro militar americano, se esconderam, mas depois resolver "partir para cima do agressor". "Batemos na cabeça dele até ele perder a consciência", contou.

Na briga, Stone foi ferido na mão e no pescoço com o estilete. Soldado americano da US Air Force, Stone saiu da clínica de Lille onde foi operado com sucesso e se dirigiu à delegacia de polícia para prestar depoimento. No local, ele encontrou Skarlatos e o amigo estudante e de lá, os três saíram de um carro da diplomacia americana.

O britânico Chris Norman, de 62 anos, que também ajudou os americanos a imobilizar o suspeito, disse não se considerar um "herói". "Agora, quero apenas voltar para casa", afirmou.

A coragem deles foi saudada pelo presidente Barack Obama, que falou pelo telefone com dois americanos. O presidente François Hollande anunciou que irá receber na segunda-feira no Palácio do Eliseu os que participaram da ação e evitaram o que poderia ser um massacre.

Imagens em redes sociais

Em imagens feitas por telefones celulares de passageiros e divulgadas em redes sociais, o suspeito aparece sem camisa, ao lado de uma kalachinikov e com as mãos amarradas. Passageiros, como o ator Jean-Hugues Anglade, que se encontrava no trem, denunciaram o comportamente da tripulação do trem Thalys que teria se trancado em um dos vagões principais e recusado a abrir a porta.

A empresa apoiou a decisão do agente do trem e o presidente da Thalys anunciou que irá receber o ator e diretor francês. O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, anunciou a criação de um número de telefone para os passageiros de trens na França informarem qualquer atividade suspeita na rede ferroviária do país.

Fonte: EBC

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