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Cientistas debatem poluentes persistentes em São Paulo


Cientistas de todo o mundo estarão reunidos em São Paulo, entre os dias 23 e 28 de agosto, para participar do 35° Simpósio Internacional de Poluentes Orgânicos

Persistentes e Halogenados (Dioxin 2015). Durante o encontro, o Brasil vai apresentar o Plano Nacional de Implementação da Convenção de Estocolmo (NIP, sigla em inglês), o Inventário e Plano de Ação para Novos POP, além do Inventário de Dioxinas e Furanos, documentos que foram formulados pelo Ministério do Meio Ambiente.

Esses poluentes são classificados entre os mais perigosos que o mundo precisa eliminar. São chamados de orgânicos persistentes devido à capacidade de ficarem no meio ambiente por períodos extremamente longos. Os POP transitam pelo planeta por meio da água, ar e pela contaminação do solo.

Podem se acumular nas células dos seres vivos e atingem a cadeia alimentar, causando doenças como o câncer e graves danos à fauna e flora. Estão presentes na composição de agrotóxicos, em matérias-primas utilizadas na indústria e também são gerados pela combustão de material orgânico que contenha cloro, como é o caso da queima de lixo. A sua presença já foi detectada no leite humano.

Controle

São 23 os Poluentes Orgânicos Persistentes (POP) listados na Convenção de Estocolmo, acordo internacional que trata das obrigações dos países para a adoção de medidas de controle para a sua produção, importação, exportação, disposição e uso. Os mais de 160 países signatários devem promover tecnologias e práticas para a gestão e eliminação desses poluentes, além de estarem preparados para prevenirem sua proliferação. Por meio do acordo, são oferecidas alternativas tecnológicas para se alcançarem essas metas e também apoio financeiro internacional.

“O plano traz um panorama da situação do Brasil e estabelece estratégias para eliminação e redução de todos os POP”, relata o gerente de Segurança Química do Ministério do Meio Ambiente, Alberto da Rocha Neto. O documento está em fase de revisão para publicação e o inventário de novos POP foi lançado há cerca de três anos, como parte das iniciativas necessárias para a idealização do plano.

Reconhecimento

O Brasil pode se considerar prestigiado por sediar o Dioxin 2015. Na opinião do presidente do evento, João Vicente de Assunção, professor de Engenharia Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), a escolha do País para a sede do simpósio se deu por diversos motivos: “Por ser uma das dez maiores economias do mundo, ser expoente na América Latina e pelo cumprimento das tarefas da Convenção de Estocolmo.”

Assunção foi consultor do MMA na realização do Inventário de Dioxinas e Furanos, substâncias que fazem parte dos POP, que ficou pronto em 2011 e que também será apreciado pela comunidade científica agora em São Paulo. Ele integra a equipe que produziu o plano nacional.

“Conseguimos em 2010 a decisão de sediar o simpósio em 2015”, ressaltou o cientista. “E chega em uma hora muito boa, porque o Brasil terminou o NIP e vai apresentá-lo agora.” Ele disse, ainda, que a realização do Dioxin 2015 no Brasil traz diversos benefícios. “Vai contribuir com o intercâmbio de informações e com a execução de nosso plano nacional, além de facilitar a divulgação das tarefas que devemos cumprir, conscientizando a população sobre essa necessidade”.

Fonte Ministério do Meio Ambiente

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