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Aproximação Brasil-México é fundamental para unidade latino-americana, diz Dilma Rousseff


A primeira visita de Estado da presidenta Dilma Rousseff ao México, nos próximos dias 26 e 27 de maio, abre um novo capítulo na relação entre os dois países. A declaração é da própria presidenta, em entrevista publicada neste domingo (24), pelo jornal mexicano La Jornada. “Eu vou ao México com uma consciência muito forte da importância que o país tem na formação de uma relação e de uma unidade latino-americana, mas que respeita diferenças”.

Ela contou que, quando recebeu o então presidente eleito Peña Nieto no Brasil, antes de ele tomar posse, os dois chegaram a um “forte consenso” de que era fundamental que ambos os países se aproximassem. E, além disso, “que era importante para a nossa região toda. (…) Porque o México é a maior nação [latina] no Hemisfério Norte. E, de todas as nações que tem dentro desse continente, é uma das mais ricas, culturalmente falando. Não é só economicamente, é culturalmente falando. E essa relação interessa, eu acho, para o Brasil”.

Compromisso

A presidenta relembrou que, no passado, o Brasil estava de costas para seus vizinhos latinos no continente. “Achava que tanto a Europa como os Estados Unidos eram o que nós devíamos nos relacionar. Não que não devamos, pelo contrário, devemos. Mas [hoje] temos um compromisso. E eu acho que isso mudou a política externa do Brasil. Nós temos um compromisso com a América Latina e com a África. Esse é o compromisso que temos pela nossa identidade cultural”, destacou.

Contou que desde que conheceu o México, por volta de 1982, admira sua imensa riqueza cultural.“Ela valoriza o que nós temos. Eu senti orgulho do continente, orgulho da América Latina. Então, acho que ela mexe muito com a sua autoestima. Mostra que houve aqui uma civilização daquele tamanho”.

Na entrevista, Dilma Rousseff reforçou que o Brasil tem muito a ganhar com essa aproximação cultural. “Eu acredito que essa relação é especial”. E que é preciso ter consciência sobre a importância de estreitar e de aproximar as relações em outros setores também. “Eu tenho a convicção de que, do ponto de vista comercial, do ponto de vista de investimento, enfim, do ponto de vista econômico, os dois países só têm a ganhar”.

A presidenta recordou ainda a história de lutas da grande nação mexicana. “Eu sei de todas as histórias da relação do México com os Estados Unidos, que na Revolução de 1910 diziam: ‘Ah, pobre México. Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos’”. Por isso hoje, ressaltou, em um mundo globalizado, a proximidade de todos tem de ser valorizada.

Acordo automotivo indica um caminho

Sobre o acordo automotivo Brasil-México, que foi renovado por mais quatro anos em maio passado, ela considerou que foi um passo importante porque mostra um caminho. “Não é ele em si, ele é um caminho. É um passo que mostra que é possível fazer um acordo e os dois países ganharem”.

Por isso, a presidenta brasileira descartou as teses de que as duas economias seriam concorrentes.“Nós não somos isso. Somos economias complementares. O México tem o segundo maior mercado, nós temos o primeiro maior mercado [da América Latina]. Daí porque é uma vantagem para nós que o México possa exercer a sua atividade comercial de investimento no Brasil e vice-versa”.

Disse ainda ter ficado impressionado quando soube, há algum tempo, que o Brasil era o segundo destino dos investimentos externos mexicanos, atrás apenas dos Estados Unidos. E que há um crescente interesse dos brasileiros de investir no país. Por isso, para a presidenta, o momento é oportuno para fazer essa parceria se ampliar ainda mais. “Então, a roda está girando, favorecendo essa integração”, enfatizou.

Fonte:; Blog do Planalto

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