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Governo e indústria reforçam necessidade de trabalhar juntos pela inovação


6º Congresso de Inovação, realizado em São Paulo pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) - Foto: José Paulo Lacerda/ CNI

A necessidade de governo e setor industrial trabalharem juntos pela inovação e a centralidade do desenvolvimento industrial para a economia brasileira foram a tônica das falas de abertura do 6° Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, nessa quarta-feira (13), em São Paulo.

"A escada que nos conduz ao futuro tem entre seus degraus incontornáveis a ciência, a tecnologia e a competitividade", resumiu Aldo Rebelo, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que apontou a economia industrial como o único caminho possível para o posicionamento do País neste século. Em seu dizer, o desafio é marcado por um "denominador comum", e nesse contexto não há como estabelecer barreiras entre o interesse público e o privado, ou entre o que é do mercado e o interesse governamental ou estatal.

O ministro destacou que há muitas políticas e ações em curso ou efetivamente implantadas com base em proposições do setor produtivo, ao qual agradeceu o esforço para manter o País entre as nações industrializadas. Ele se comprometeu com a recomposição do orçamento da Pasta e dos fundos ligados a ela, além do fortalecimento de iniciativas como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), criada pelo MCTI com a CNI.

A sessão também foi marcada por anúncios. O titular do MCTI anunciou a inclusão de projetos como o Sirius e o Reator Multipropósito Brasileiro no Programa de Aceleração do

Crescimento (PAC), a partir de sugestão sua à presidenta Dilma Rousseff. Foi divulgado que MCTI, Sebrae e Senai oferecerão serviços tecnológicos a micro e pequenas empresas (MPEs), bem como empreendedores, empresas incubadas e startups, por meio do SibratecShop. As duas entidades do setor produtivo lançaram chamada com recursos da ordem de R$ 20 milhões para fomentar núcleos estaduais de inovação voltados às MPEs e às médias empresas. Além disso, o representante da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), Pedro Passos, entregou ao representante do Governo Federalmanifesto da entidade pelo fortalecimento da inovação no País.

Dimensão estratégica

Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), desenhou um "momento de dificuldade" na economia, citando o surgimento de novos custos, a redução do consumo e crise em países que compõem o mercado externo. "A gente sabe que o Governo Federal e os Estados têm procurado tomar as medidas necessárias", disse. "O Brasil precisa ter propostas para que, ao fim do ajuste fiscal necessário, possa ter um crescimento sustentável."

Ele lembrou a criação da MEI como incentivo para que a inovação se consolide como uma estratégia de desenvolvimento das empresas e não uma medida pontual.

Também Luiz Barretto, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), elegeu o tema entre os principais para todo o setor produtivo. Ele avaliou que, do ponto de vista dos investimentos, "o momento é de cautela, mas não de paralisia". Elegeu a melhoria do ambiente legal como prioridade e, nessa frente, falou do projeto de lei que regulamenta a atividade inovadora e da proposta de isenção para importação de máquinas e matérias-primas para pesquisa e desenvolvimento (P&D). Elogiou a criação do regime do Supersimples e defendeu seu aperfeiçoamento.

Barretto destacou a interdependência entre grandes e pequenas empresas e citou a parceria entre Sebrae e CNI como medida para inserir a inovação no centro da atuação destas. Outras iniciativas lembradas foram o programa Agentes Locais de Inovação (ALI), em conjunto com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), e o Sebraetec, que, segundo informou o presidente, conta com mais de 700 instituições que ofertam soluções tecnológicas.

O documento lido por Pedro Passos conclama os setores privado e público, juntamente com a academia brasileira, a trabalhar para o fortalecimento da inovação empresarial no País. Aponta a redução da participação industrial no Produto Interno Bruto (PIB) e a perda de competitividade e alerta que o dispêndio empresarial com P&D está longe da meta de 0,90% do PIB. Remete, ainda, a pesquisa com 100 líderes empresariais dos quais mais de 60% responderam perceber o grau de inovação no Brasil como baixo.

"A inovação é o elemento-chave para alavancarmos os investimentos e os resultados do desenvolvimento científico e tecnológico no País. A inovação é o atalho para a superação dos obstáculos ao desenvolvimento do Brasil", afirma o manifesto.

Reunião

O ministro Aldo Rebelo reafirmou que o ajuste fiscal é uma situação temporária e que o País precisa estar preparado para o momento seguinte. Segundo observou, para tal missão é preciso reunir as universidades, a inteligência pública e os institutos de pesquisa com os projetos inovadores das empresas.

"Se o Brasil quer ser uma nação independente e autônoma, se quer defender e ampliar as conquistas sociais do seu povo e da sua sociedade, se quer ampliar a vida democrática, não há escolha que não seja a de se proteger e recuperar como nação industrializada", concluiu.

O Congresso segue até esta hoje (14). Iniciativas do Ministério podem ser conhecidas em três estandes, por meio de totens eletrônicos e vídeo institucional.

Fonte: Ascom do MCTI

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