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HSBC não tem acesso a correntistas na Suíça, diz presidente do banco


O presidente do HSBC Brasil, André Guilherme Brandão, participa de audiência pública na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do HSBC, no Senado (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente do HSBC no Brasil, André Guilherme Brandão, prestou depoimento nessa terça-feira (5) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o caso SwissLeaks-HSBC e afirmou que o banco não tem acesso aos dados dos correntistas brasileiros do banco em Genebra, na Suíça.

“Se uma pessoa quer fazer uma transação financeira fazendo um contrato de câmbio, nós vamos fazer e reportar para o banco do país desejado. O HSBC tem o controle de quem foi indicado para esses bancos, mas não tem as informações se elas se converteram em uma conta”, explicou o presidente.

De acordo com Guilherme Brandão, mais nenhum funcionário do banco no Brasil poderia colaborar com a CPI, somente alguém do HSBC da Suíça, mas lembrou que os responsáveis pelo banco em Genebra não podem dar detalhes sobre as contas no HSBC.

Brandão disse que o banco no Brasil passou por um momento de reavaliar sua política de segurança após o vazamento dos dados e atualmente fazem uma prevenção de lavagem de dinheiro de forma contínua. Por ser um banco internacional, ele afirmou que, a partir de 2012, o assunto passou a ser tratado de forma global e homogênea.

“Nesse processo de melhorar e intensificar a segurança descobrimos que as contas dormentes estavam sendo reativadas por criminosos. Então, reconhecemos 4,5 milhões de contas e encerramos todas”, disse.

Ele garantiu que todas as pessoas acusadas pelo Controle de Atividades Financeiras (Coaf), por terem feito movimentações financeiras suspeitas, não voltam a ser correntistas do HSBC em outros países.

“A partir de uma transação suspeita, nós somos obrigados a reportar cada caso ao Coaf. Cerca de 13 mil alertas são gerados por mês, após uma análise profunda, se o alerta for comprovado, passamos isso para o Conselho”, garantiu.

Entenda o caso – No início de fevereiro, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), divulgou o projeto SwissLeaks, por meio do qual foram expostos quase 60 mil arquivos com detalhes sobre mais de 100 mil correntistas do HSBC e suas movimentações bancárias, entre 1988 e 2007.

As contas bancárias reveladas somam mais de US$ 100 bilhões depositados em filiais do banco por correntistas ao redor do mundo.

À época, os dados sobre as correntes foram vazados pelo ex-funcionário do banco Herve Falciani. As informações foram entregues por ele a autoridades francesas, em 2008. Com o projeto SwissLeaks, mais de 140 jornalistas em 45 países investigam os nomes envolvidos no caso.

Até o momento, foram descobertas contas secretas, no HSBC da Suíça, de 6,6 mil brasileiros. Estima-se que os depósitos de correntistas brasileiros no paraíso fiscal possam chegar a US$ 7 bilhões.

Desde fevereiro, a investigação feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos apontou que vários políticos, artistas, atletas, empresários e celebridades estão envolvidos em um caso de fraude fiscal com suas contas na filial suíça do HSBC.

Fonte: Agência PT de Notícias - por Danielle Cambraia

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