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Inpa terá centro especializado em quelônios de água doce


Segundo o pesquisador Richard Vogt, o Cequa, em Manaus, não tem um equivalente no mundo. Ele ressalta a importância dessa realização para a conservação das tartarugas.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Projeto Tartarugas da Amazônia: Conservando para o Futuro inauguram, na quinta-feira (12), em Manaus, o maior centro do mundo especializado em estudos de quelônios de água doce. Trata-se do Centro de Estudos de Quelônios da Amazônia (Cequa), situado no Bosque da Ciência, próximo ao Lago Amazônico, com a proposta de desenvolver pesquisas, conservação de tartarugas e educação ambiental.

De acordo com o coordenador do Projeto Tartarugas da Amazônia, o pesquisador do Inpa Richard Vogt, o Cequa é um projeto de caráter inédito. "Não existe, no mundo, outro centro de estudos nesse porte para conservação de tartarugas de água doce", ressalta o especialista em conservação e ecologia de tartarugas de água doce.

O pesquisador explica que o prédio contará com uma estrutura capaz de dar apoio aos pesquisadores nos experimentos em lagos, praias para desova e incubadoras para os filhotes. Construído numa área de aproximadamente mil metros quadrados, o edifício abrigará quatro aquários de 4 x 7 metros onde estarão expostos exemplares vivos de tartarugas amazônicas (tracajá, iaçá, cabeçudo, irapuca e mata-matá). Também haverá um ambiente de terrário com espécies menores, como jabuti machado, perema, lalá e muçuã, dentre outros.

Além disso, o Cequa contará com um auditório com capacidade para 65 pessoas, um amplo laboratório para estudos das espécies de tartarugas amazônicas e uma biblioteca para pesquisadores e alunos dos programas de pós-graduação do Inpa vinculados ao projeto.

Em cada ambiente, os visitantes terão informações sobre a conservação, a ecologia e a biologia das espécies. Os recintos dos animais no centro simularão os hábitats da natureza, e com isso os visitantes poderão ter uma noção de como e onde eles vivem no bioma amazônico.

Ricardo Vogt explica que a estrutura foi construída com recursos da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Avanços científicos

O mestrando Fabio Cunha, do Programa de Pós-Graduação de Biologia de Água Doce e Pesca Interior (Badpi), conta que recebe com grande empolgação a notícia da inauguração do Cequa. "Um centro de estudos desse porte possibilitará para muitos pesquisadores do Brasil e do mundo uma grande oportunidade para descobertas e avanços científicos com esse grupo de animais tão importante para a fauna mundial", disse o pós-graduando, também membro do Projeto Tartarugas da Amazônia.

No Brasil, segundo Cunha, são conhecidas 31 espécies de quelônios continentais, representadas por tartarugas, cágados e jabutis. Suas populações estão entre as que mais sofrem pressão. Alguns estão na lista das espécies ameaçadas de extinção e um dos motivos é seu declínio populacional – a exemplo da tartaruga-da-amazônia,

que está entre os animais mais capturados ilegalmente por seu valor econômico.

Fonte e foto: Inpa

#ambiente