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Pesquisa testa potencial terapêutico do gengibre amargo


Com o objetivo de avaliar clinicamente o processo inflamatório e a resposta da cicatrização em feridas em pé diabético, durante o tratamento experimental com o gel do óleo essencial do gengibre amargo, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) em parceria com a Prefeitura de Manaus (AM), está selecionando 40 pessoas para participarem dos testes do tratamento terapêutico alternativo.


A seleção dos participantes faz parte do projeto de pesquisa do mestrando, o enfermeiro Maurício Ladeia, intitulada “Avaliação do potencial terapêutico do gengibre amargo da espécie Zingiber zerumbet no processo inflamatório em portadores de úlceras em pé diabético”. O processo de seleção foi aberto nessa quinta-feira (11) e segue até o preenchimento das vagas.


De acordo com o mestrando, a seleção dos participantes diabéticos com feridas no pé será realizada na Unidade Básica de Saúde (UBS) José Amazonas Palhano, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Os interessados podem ligar no horário das 8h às 12h, para o telefone 3644-9879 para se inscrever e agendar entrevista informando o nome, o número do RG e o telefone para contato. A entrevista e o tratamento acontecerão na UBS, que fica na rua Antônio Matias, s/nº, bairro São José I, zona Leste de Manaus.


Ladeia explica que o pé diabético é uma lesão decorrente do diabetes mellitus e ocorre quando uma área lesionada (ferida) acidentalmente ocorre no pé e desenvolve uma úlcera crônica. O aparecimento da lesão acontece em decorrência da doença já instalada, com o comprometimento da circulação sanguínea e perda da sensibilidade cutânea, devido à deficiência da produção de insulina e aos níveis de glicemia mal controlados.


Segundo Ladeia, serão formados quatro grupos de participantes para o estudo clínico experimental com pacientes de ambos os sexos, na faixa etária de 18 a 70 anos, todos diabéticos independentes do tipo 1 ou 2. “Todos serão tratados da mesma forma, em paralelo ao tratamento clínico convencional que já realizam”, diz.


Tratamento experimental


O mestrando explica que o tratamento alternativo será realizado durante 90 dias por uma equipe de profissionais de saúde multidisciplinar e incluirá exames laboratoriais e de eletrocardiograma para subsidiar a avaliação das funções metabólicas, renal, hepática e cardíaca.


Após esse período, será avaliada semanalmente a evolução dos participantes tratados com o gel do óleo essencial do gengibre amargo - que não é o mesmo gengibre conhecido como mangarataia, assim como será feito um comparativo com os participantes que receberam o tratamento convencional.


A cada dois dias será feito o curativo com a limpeza e remoção do tecido necrosado e logo após aplicado o gel do gengibre amargo na lesão. E a cada sete dias será feita uma foto dessa lesão que passará por uma avaliação, por meio de um programa de imagem, que fará a análise de retração dessas úlceras em decorrência do tratamento terapêutico do produto aplicado.


Cicatrizante


Segundo o pesquisador Dr. Carlos Cleomir, o extrato do gengibre amargo tem um potencial cicatrizante, anti-inflamatório, hipoglicêmico, analgésico além de ser vasodilatador e possuir várias propriedades de interesse farmacológico em nível terapêutico.


De acordo com o pesquisador Carlos Cleomir, esta pesquisa se faz necessária em função da necessidade de se conhecer o diabetes, que é a quarta principal causa de morte por doença no Brasil e a principal causa de cegueira adquirida. “A chance de sofrer amputações nos membros inferiores é 40 vezes maior entre os diabéticos”, diz o pesquisador.


Para Ladeia, o tratamento alternativo proporcionará aos portadores de diabetes alguns benefícios, como menor tempo de tratamento e hospitalização, bem como redução do número de amputações decorrentes de úlceras inferiores chamadas de pés diabéticos. Segundo o mestrando, dados do Ministério da Saúde apontam que são realizadas no Brasil cerca de 60 mil cirurgias de mutilação ou amputação por ano. Deste total, cerca de 70% são provocadas pela diabetes.


O projeto tem aprovação do Comitê de Ética com seres humanos do Inpa e conta com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).



Foto: Maurício Ladeia (à esquerda) e o pesquisador Carlos Cleomir mostram a planta do gengibre amargo - Divulgação/Inpa


Fonte: Portal Brasil, com informações do INPA

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