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Últimos dias das Olimpíadas de Tóquio contam com a estreia de quatro atletas refugiados

Diante das últimas disputas da Equipe Olímpica de Refugiados, o ACNUR reúne algumas das histórias dos competidores que fizeram com que o mundo voltasse os olhos para as 82,4 milhões de pessoas no mundo forçadas a deixar suas casas.


Participações emocionantes marcam o final de semana de competições. Nos próximos dias, quatro atletas da Equipe Olímpica de Refugiados ainda farão suas estreias em Tóquio.


Aker Al Obaidi, Hamoon Derafshipour, Wael Shueb e Tachlowini Gabriyesos irão competir em luta livre, karatê, e maratona.

Legenda: Aos 14 anos, o iraquiano Aker Al Obaidi acabou separando-se da família fugindo da violência e do Estado Islâmico em seu país Foto: © ACNUR/Benjamin LoyseauA participação de membros da Equipe Olímpica de Refugiados no último final de semana marcou os Jogos Tóquio 2020. Formada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), com apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a equipe de 29 atletas fez com que os olhos do mundo voltassem para as 82,4 milhões de pessoas que foram forçadas a deixar suas casas devido a conflitos, pobreza e perseguições políticas.

Enquanto os jogos entram na última semana muitas modalidades se encaminham para a reta final. Nos próximos dias, quatro atletas da Equipe Olímpica de Refugiados ainda farão suas estreias em Tóquio. Aker Al Obaidi (02/08, às 23h), Hamoon Derafshipour (05/08, às 22h), Wael Shueb (06/08, às 22h) e Tachlowini Gabriyesos (07/08, às 19h) competirão em luta livre, karatê, e maratona nos próximos dias.

Campeão nacional - O caratê foi o que salvou o refugiado sírio Wael Shueb de uma vida repleta de dificuldades. Aos 33 anos, o sírio dividia seu tempo entre o emprego em uma fábrica têxtil na cidade de Damasco e como coach de artes marciais. Sua vida virou de cabeça para baixo quando, em 2015, ele teve que deixar o país devido ao agravamento dos conflitos na Síria.

O deslocamento forçado de Wael da Síria foi uma odisseia. Ele viajou durante quatro semanas até chegar à Alemanha, enfrentando jornadas em botes de borracha até a Turquia e longas pedaladas pela Macedônia do Norte.

Em um novo país, com uma nova cultura e um idioma desconhecido, foi o caratê que ajudou Wael a se adaptar à nova realidade. Treinando constantemente, o atleta se especializou na modalidade kata, que consiste em golpes com menos contato entre os adversários.

Atualmente, Shueb está entre os dez melhores da modalidade na Alemanha. No campeonato alemão em Hamburgo, realizado no início de 2020 – o último grande evento antes da pandemia do coronavírus – ele terminou em décimo lugar na competição individual. Em 2009, mais de 10 anos antes de ser classificado para sua primeira Olimpíada em Tóquio, o atleta foi campeão nacional da Síria.

“O esporte abre portas e fala todos os idiomas. O esporte é o campeão mundial da integração”, disse o atleta sírio ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), é responsável pela formação da Equipe Olímpica de Refugiados.

Em sua estreia nos Jogos, Wael espera trazer visibilidade às pessoas refugiadas em todo o mundo. “Eu tento dar força a eles, mostrando que pessoas refugiadas podem alcançar o que elas quiserem”, afirma.

Maratona Olímpica - A última participação da Equipe Olímpica de Refugiados em Tóquio será a do maratonista Tachlowini Gabriyesos, que competirá no sábado (7).

Ele deixou a Eritreia quando tinha apenas 12 anos, mas nunca abandonou a paixão pela corrida. As jornadas por grandes distâncias começaram cedo: forçado a deixar seu país de origem pelas delicadas situações de conflito, percorreu desertos entre o Sudão e o Egito a pé até chegar em Israel. Aos 23 anos, Tachlowini treina diariamente no Emek Hefer, em Tel Aviv.

Corredor de médias e longas distância, Gabriyesos é a definição de resiliência, tendo enfrentado diversos obstáculos com resistência física, força mental e uma visão positiva. Em 2019, ele foi um dos seis escolhidos para competir pela Equipe de Refugiados no Campeonato Mundial de Atletismo de Doha 2019, mas sofreu um grande golpe antes mesmo de chegar lá. Em uma escala de rotina em Istambul, ele foi obrigado a ficar no aeroporto turco durante 27 horas por conta de seu visto. No ano seguinte, Tachlowini foi mais uma vez impedido de viajar para a Polônia para uma meia-maratona mundial em Gdynia.

Uma jovem promessa - Um dos mais jovens atletas da Equipe Olímpica de Refugiados é o iraquiano Aker Al Obaidi. Aos 20 anos, ele compete pela modalidade greco-romana em luta livre e espera conseguir uma medalha em Tóquio. Mas antes de se mudar para a Áustria e conseguir restabelecer sua vida, Aker enfrentou diversos obstáculos.

Aos 14 anos, foi obrigado a deixar o Iraque para fugir do Estado Islâmico, que estava recrutando garotos da idade dele. No caminho para o Curdistão, o atleta acabou separando-se da família e chegou à Áustria, onde teve sua solicitação de refúgio aprovada.

Aker se estabeleceu na região de Tirol, onde foi notado por um clube local e recebeu a oportunidade de treinar, estudar e aperfeiçoar um idioma totalmente novo. Agora mais próximo do sonho olímpico, o lutador espera levar a todas as pessoas refugiadas no mundo.

“Estou tentando nos dar voz, para mostrar que refugiados não são pessoas más. Não devemos ser considerados bandidos e sermos associados a coisas negativas. Queremos mostrar que estrangeiros podem fazer coisas boas, ser bons nos esportes, ganhar medalhas”, disse em uma entrevista ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Outros atletas - Confira os momentos mais marcantes protagonizados por atletas da Equipe Olímpica de Refugiados nessas Olimpíadas:

Um dos destaques das provas de atletismo foi o congolês Dorian Keletela. Correndo nos 100 metros rasos, a prova mais rápida do esporte, Dorian teve uma performance extraordinária na fase classificatória. No dia 30 de julho, ele terminou a corrida com o primeiro lugar de sua bateria, com a marca de 10.33 segundos. No dia seguinte, no entanto, não conseguiu avançar para a próxima etapa por não ter cruzado a linha entre os três primeiros. Nas redes sociais, Dorian escreveu que Tóquio 2020 foi uma experiência incrível, agradeceu o apoio que lhe foi dado e já mencionou seu desejo em estar em Paris, competindo pelo time de refugiados nos próximos Jogos Olímpicos, em 2024.

O sul-sudanês James Nyang Chiengjiek, que competiu na última sexta-feira (30) pelos 800 metros, também não conseguiu classificação para as fases seguintes. O atleta sul-sudanês protagonizou uma das cenas mais comoventes dos últimos dias em Tóquio. James estava entre os líderes da prova e foi tocado por outro atleta, caindo logo na primeira curva da pista. Após completar a prova em último lugar, James se agachou na pista e chorou substancialmente. Ao jornal Folha de São Paulo, que o entrevistou após a prova, o jovem de 23 anos afirmou ter treinado muito para chegar em Tóquio.

“Eu estava pronto. Muita gente [refugiados] contava comigo. Queria fazer algo importante para chamar a atenção para a situação de milhões de pessoas”, disse o atleta que, na infância, teve que deixar o país para não se tornar um soldado-criança na guerra civil. A pista do Estádio Olímpico de Tóquio contou com a participação das sul-sudanesas, pela segunda vez nos Jogos Olímpicos. Elas competiram nas provas de 800 e 1.500 metros respectivamente e Anjelina marcou o melhor tempo da sua vida, provando sua evolução desde os Jogos Rio 2016.

Confira os detalhes da agenda das competições dos atletas nos próximos dias, de acordo com o horário de Brasília:

  • Luta Livre | Aker Al Obaidi: 02/08 (2ª feira), a partir das 23h

  • Karatê | Hamoon Derafshipour: 05/08 (5ª feira), a partir das 22h

  • Karatê | Wael Shueb: 06/08 (6ª feira), a partir das 22h

  • Maratona | Tachlowini Gabriyesos: 07/08 (sábado), a partir das 19h

Acompanhe o time - Como forma de referenciar o potencial humano dos atletas refugiados, o ACNUR criou a página oficial do Time de Refugiados. Acesse para ver fotos, perfis, horários das competições e outras informações atualizadas sobre a participação da Equipe Olímpica de Refugiados.


Fonte: ONU Brasil